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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 23 Abr 2020 22:16 
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Toda a gente é bem-vinda para trazer achegas a estes posts.

Não me demorei muito com Amalia e o seu casamento, porque ela era tão somente enteada de Maria José, e este post, não o esqueçamos, é dedicado a Carlota Joaquina e sua descendência.

Mas todos os que gravitam à sua volta e dos seus descendentes são bem-vindos, ainda para mais quando aparecem em cascatas de realeza como no casamento de Amalia.

Por falar nesse casamento, encontrei a capa da ementa do almoço de casamento, infelizmente sem identificação dos manjares servidos.

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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 24 Abr 2020 13:50 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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Encontrei estas fotografias do 70º aniversário de Karl-Theodore em 1909.

Infelizmente vão sair muito pequenas. Não sei como as aumentar...
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A legenda refere :
Karl Theodor, Duke in Bavaria with his family (detected) Guillaume d'Urach, Franz Joseph in Bayern, Kronprinz Rupprecht von Bayern, Hans Veit zu Toerring-Jettenbach, Albrecht von Bayern (1905–1996), Sophie Adelheid in Bayern, Adelgunde von Portugal, Infanta Maria Antonia of Portugal, Carl Theodor in Bayern và Infanta Maria Josepha of Portugal.

Vamos procurar identificá-los ?
O 1º à esquerda é sem dúvida D.Miguel de Bragança, seguido do duque de Urach.
Sem grande certeza, a rapariga poderia ser Zita de B.Parma.
Na escada, atrás de Sofia Torring-Jettenbach (?) dois dos irmãos Bourbon-Parma - René e Francisco Xavier ?, Alberto da Baviera trepando ao poste, amparado por ???, Karl-Theodore e Maria José e atrás, Aldegundes e Maria Antónia de Bragança.


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Quem é o 1º à esquerda, ao lado de D.Miguel ?
A senhora que amparava Alberto na 1ª foto está aqui em destaque ao lado de Guilherme de Urach.


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 24 Abr 2020 17:37 
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Mª Josefa


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 27 Abr 2020 13:56 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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José escribió:
Encontrei estas fotografias do 70º aniversário de Karl-Theodore em 1909.

Infelizmente vão sair muito pequenas. Não sei como as aumentar...
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A legenda refere :
Karl Theodor, Duke in Bavaria with his family (detected) Guillaume d'Urach, Franz Joseph in Bayern, Kronprinz Rupprecht von Bayern, Hans Veit zu Toerring-Jettenbach, Albrecht von Bayern (1905–1996), Sophie Adelheid in Bayern, Adelgunde von Portugal, Infanta Maria Antonia of Portugal, Carl Theodor in Bayern và Infanta Maria Josepha of Portugal.

Vamos procurar identificá-los ?
O 1º à esquerda é sem dúvida D.Miguel de Bragança, seguido do duque de Urach.
Sem grande certeza, a rapariga poderia ser Zita de B.Parma.
Na escada, atrás de Sofia Torring-Jettenbach (?) dois dos irmãos Bourbon-Parma - René e Francisco Xavier ?, Alberto da Baviera trepando ao poste, amparado por ???, Karl-Theodore e Maria José e atrás, Aldegundes e Maria Antónia de Bragança.


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Quem é o 1º à esquerda, ao lado de D.Miguel ?
A senhora que amparava Alberto na 1ª foto está aqui em destaque ao lado de Guilherme de Urach.



Ninguém arrisca uma identificação (sad) ?


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 27 Abr 2020 17:00 
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Registrado: 12 Mar 2008 16:10
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Quizás María de Baviera, duquesa de Calabria? o alguna de sus hermanas.


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María


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 02 May 2020 12:26 
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Talvez.

O penteado é tão diferente...

Celebravam-se os 70 anos de Karl Theodore em 9 de Agosto de 1909 (se a festa foi no dia de aniversário).

Três meses depois, a 29 de Novembro, o duque viria a falecer (sad) .


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 02 May 2020 12:30 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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D.Maria José, tal como as filhas, era adepta do desporto.

Praticou natação até perto dos 80 anos.

Encontrei esta fotografia de duas damas pouco convencionais, mãe e filha


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 01 Jun 2020 02:30 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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Depois de um longo interregno, prossegue a saga das netas de Carlota Joaquina com:

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5.D.Aldegundes de Bragança (1858-1946)

Aldegundes de Jesus Maria Francisca de Assis e de Paula Adelaide Eulália Leopoldina Carolina Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga Inês Isabel Avelina Ana Estanislau Sofia Bernardina de Bragança, nasceu em Bronnbach a 10 de Novembro de 1858 e faleceu em Berna a 15 de Fevereiro de 1946.
Conhecida na família como Gunta.

Tinha apenas 8 anos quando perdeu o Pai, D.Miguel I, e a família foi recolhida e apoiada pelo tio materno, Imagen
o príncipe Carlos de Loewenstein-Wertheim-Loewenstein.

Tal como as irmãs, beneficiou de uma educação esmerada e conservadora, baseada em valores católicos e no contexto da história do ramo da família a que pertencia.

Aos 17 anos casou com Enrico Carlo Luigi Giorgio di Borbone-Parma, conde de Bardi (1851-1905), por quem se apaixonara depois de ver uma fotografia sua.

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Enrico, doravante, Henrique, foi o quarto e último filho de Carlos III duque de Parma
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e de sua mulher Luisa de Bourbon-Artois
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Era um indivíduo, bem parecido, mas amargo e depressivo. Tinha combatido na 3ª Guerra Carlista com o irmão Roberto e o cunhado Carlos, pretendente carlista:
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(De pé: Alfonso, duque de Caserta, Henrique, conde de Bardi e Roberto, duque de Parma. sentado, Carlos (VII), duque de Madrid).
No entanto, Bardi foi gravemente ferido na batalha de Lacar em Navarra (1875), onde se distinguiu pela sua bravura.
Por aquele feito, o duque de Madrid conferiu-lhe a Cruz de San Fernando e o conde de Chambord, seu tio e tutor, a cruz de São Luis.
O certo é que os ferimentos recebidos na batalha o tornaram parcialmente inválido e amarguraram a sua existência, com reflexos para si e para os que o rodeavam.

Henrique tinha casado em 25 de Agosto de 1873 com
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Maria Luisa de Bourbon-Sicilia, filha mais nova do Rei Fernando II.
Um casamento brevíssimo, pois o casal partiu em lua-de-mel para o Egipto onde Maria Luisa contraiu febres. O casal decidiu regressar a França, entrando por Marselha com destino a Pau. Fizeram uma paragem em Lourdes onde Maria Luisa foi submetida a banhos nas águas santas do Gave, mas, sem melhoras, rumaram a Pau onde veio a falecer em 23 de Agosto de 1874.


Em 15 de Outubro de 1876, Henrique casa pela segunda vez com D.Aldegundes em Salzburgo na presença da família Bragança.
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Rapidamente a infanta engravidou, para logo perder a criança que trazia no ventre.
O primeiro de um longo calvário de 9 gravidezes, nenhuma das quais chegou ao termo.
E cada criança perdida representava um rol de recriminações por parte de Henrique que a acusava de não ter acautelado devidamente a gravidez, e se remetia ao isolamento dos seus aposentos ou abandonava a mulher quando ela mais necessitava dele e partia muitas vezes sem destino embarcando nos seus iates.

No entanto, Henrique regressava sempre e Aldegundes, que o amava sem reservas apesar do seu comportamento abrupto, sempre o recebia.

O casal vivia principalmente em Veneza, no palácio Vendramin-Calergi

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um dos mais belos palácios de Veneza.
Os condes de Bardi eram reputados melómanos e assíduos frequentadores do Teatro la Fenice.
Receberam várias vezes no seu palácio o compositor Richard Wagner
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que ali morreu em Fevereiro de 1883.

O conde de Bardi era um estudioso da oceanografia e D.Aldegundes acompanhou o marido nas suas expedições.

O casal possuiu vários iates, com os quais percorreu todo o globo.
O Sayonara, o Adelgonda ou o Fleur de Lys, entre outros.
Viajaram pelo México, onde foram recebidos pelo malogrado Imperador Maximiliano
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e pelas Caraíbas; Aventuraram-se pelo Extremo Oriente, onde visitaram a Grande Muralha da China e passaram ao Japão onde foram recebidos pelo Imperador, distinção rara, não pertencendo a casas reinantes.
E, se em Roma sê romano...
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Passaram pela Índia e dessas viagens acumularam mais de 36.000 peças de colecção.

Para um homem inválido e com dificuldades de locomoção, Henrique demonstrou grande coragem ao empreender viagens pelo Árctico, em condições particularmente difíceis.
Largando da Noruega em direcção ao Cabo Norte, explorou o arquipélago de Spitzbergen, onde deixou um memorial da sua passagem com uma cruz identificadora da sua fé.
Efectou diversos levantamentos cartográficos e identificou geleiras, dando a uma delas o nome da mulher, Adelgonda.
Também baptizou uma elevação como Monte Maria Teresa, em homenagem à cunhada Maria Teresa de Bragança, casada com o arquiduque Carlos Luis de Áustria e a uma enseada deu o nome de Baía de Bragança.

As viagens oceanográficas prolongaram-se até 1903, data em que um acidente durante uma regata agravaram o seu estado debilitado e o impediram de prosseguir as suas explorações.

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Até pelas suas maleitas físicas, Henrique era bastante próximo do cunhado Carlos Teodoro duque na Baviera, casado com a Infanta D. Maria José de Bragança.

Tal relacionamento encantava D.Aldegundes que, assim, podia estar mais vezes com a irmã.

Para melhor poderem desfrutar da companhia mútua, uma vez que Carlos Teodoro possuía uma casa em Menton no sul de França, Henrique decidiu adquirir uma casa próximo.

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A escolha recaiu na Villa Henri IV em Cannes, onde o casal passou a residir por algumas temporadas.

Henrique veio a falecer em Menton a 13 de Abril de 1905, sendo sepultado na Capela Funerária dos Bourbon-Parma em Viareggio

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continua


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 04 Jun 2020 14:37 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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Apesar de nunca ter conseguido constituir família e tornar-se Mãe, D.Aldegundes teve sempre um fortíssimo sentido de família projectando o seu sentido de maternidade nos sobrinhos.

Acompanhou o irmão D.Miguel
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cujos direitos ao trono sempre sustentou, bem como todas as irmãs e sobrinhos.

Sofreu com a morte prematura da cunhada Elisabeth von Thurn und Taxis e regozijou-se com o segundo casamento de D.Miguel com a prima Maria Teresa de Loewenstein-Wertheim-Rosenberg.

Era muito próxima da irmão D.Maria José duquesa Carl-Theodore na Baviera, laços esses fortalecidos pela amizade entre o marido e o cunhado e as temporadas que os dois casais passavam na Riviera francesa.

Estabeleceu laços de grande amizade com a cunhada Margarida de Bourbon-Parma, irmã do marido
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esposa abandonada de Carlos de Borbon, duque de Madrid, pretendente carlista ao trono de Espanha.

Os duques de Parma possuiam a Villa Borbone em Viareggio
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onde passavam os Verões e para o qual convidavam os condes de Bardi e a família desamparada da irmã mais velha Margarida, com quem D. Aldegundes travou amizade e trocava confidências.
"Adoptou" ainda as filhas de Margarida e escandalizou-se com o futuro comportamento de Elvira
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Empolgou-se com as viagens que a irmã D.Maria das Neves realizou com o marido Alfonso Carlos, sobretudo pelo desconhecido e algo selvagem continente norte-americano, sentindo uma natural empatia e desejo de partir.

Tinha uma relação algo protectora com as irmãs mais novas Maria Ana e Maria Antónia, tendo ficado radiante quando esta casou em segundas núpcias com o cunhado Roberto de Parma, mesmo sabendo o fardo que sobre ela ia recair com 9 filhos, seis deles, atrasados mentais, e, secretamente, invejando a fertilidade da irmã que acabou por dar ao marido mais 12 filhos, algo que ela não conseguira atingir.

A esse propósito, é significativa e pungente a carta amargurada que escreveu à irmã D. Maria Teresa depois de perder o nono e último filho.

"Minha querida Maria Teresa
Há muito que te devia umas linhas, mas só agora encontrei o ânimo para fazê-lo, pedindo desde já desculpas por tão grande demora e fazendo votos de que tal não volte a repetir-se.
Os acontecimentos cá por casa não têm sido de feição, com uma gravidez atribulada, atormentada por muitas hemorragias que fazia temer o pior, o que, ao fim de dois meses, acabou por suceder.
Esta foi a minha nona gestação, que não procurei, mas que acabou por me aquecer, uma vez mais, no peito, o sonho tantas vezes frustrado de ser Mãe.
Cada vez que a graça me tocava, reacendia-se a esperança, e, com ela, vinham todos aqueles projectos de mandar confeccionar roupas, de decorar um quarto de príncipe ou de princesa para o receber, de lhe adivinhar o rosto, a cor dos olhos, o tom dos cabelos; de lhe antecipar a conquista das primeiras palavras ou o advento dos primeiros passos; de saber que naquele ser pequenino, corria o sangue dos nossos Pais.
E, se grandes eram a alegria de carregar comigo tão amado ser e a esperança de o ver crescer a meu lado, maior era o sofrimento de o saber morto, e com ele enterradas todas as alegrias que para ele idealizara.
Não sei se te é possível, minha irmã, a ti que és Mãe, alcançar a dimensão da desgraça que é para uma mulher nunca o conseguir ser. A negação da maternidade a quem por ela anseia é a negação da própria alma, do próprio corpo que achamos árido e incompleto e nos torna menos mulher que as demais
Hoje vejo-me como um extenso campo queimado pelo Sol, estéril, sem colheita que nele vingue ou fruto que nele brote. E, com a pérfida infertilidade, vem o desamor por mim mesma, a auto-acusação de alguma culpa que desconheço, o desejo de ser qualquer outra que não eu.

Esta minha tragédia, que se assemelha à maior do Universo, traz consigo a amargura da troca de culpas e de palavras azedas entre mim e o meu marido, que se desvia seco e bravo, tanto para me castigar, como para, no seu refúgio e afastamento, encontrar algum conforto.
Embora nunca o tenha admitido, estou certa de que, tal como eu, também ele se arrepende de muitos insultos que me grita.
E, no entanto, sinto que desta vez não há remorsos ou pazes que nos reconciliem. Sob a luz deste Outono chuvoso e sombrio de 1891, perante ti, minha querida Teresa, reconheço que não mecha que reacenda a chama.

Sei bem que nunca sentiste por este teu cunhado particular afeição, nele descobrindo, talvez, a mesma tirania e o mesmo egoísmo do teu esposo Carlos Luis.
Mas pesem embora os seus defeitos e a alguma insensibilidade, fruto da frustração das suas incapacidades físicas, Enrico gosta de mim à sua maneira, muito incompleta e distorcida, é certo, mas, ainda assim, proporcionando-me alguns momentos de felicidade.
Tristemente, o avanço da sua enfermidade trá-lo agora sempre acamado e zangado com o mundo, destratando-me e a quem mais o rodeia...

Dito isto, como compreenderás, não me será possível viajar até à Áustria para passarmos o Natal juntas com a Mamã, os manos e os meus muito amados sobrinhos, debilitado como está o meu esposo e sempre me querendo à sua beira.

Desta que tem em grande estima, a tua irmã
Aldegundes, Princesa de Bragança e de Bourbon-Parma e condessa de Bardi


Apesar dos constantes maus tratos e recriminações, D.Aldegundes permanecia fiel e ao lado do marido que acreditava que a amava, à sua maneira incompleta e distorcida.

E assim se manteve até à sua morte, em 1905, em que a libertou daquele cativeiro a que, resignadamente, se submetia.

continua...


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 12 Jun 2020 03:41 
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Registrado: 19 Feb 2017 19:07
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A viagem a Portugal

Há muito que D.Miguel II acalentava o propósito de visitar a pátria dos seus antepassados.
Projecto que lhe estava vedado em virtude de uma feroz lei do banimento que, não só impedia a entrada em Portugal a D.Miguel I ou a qualquer dos seus futuros descendentes, como permitia a qualquer pessoa que se apercebesse da presença de um membro da família exilada em solo pátrio de o matar no local.
A aventura era, por isso, extremamente perigosa.
Isso aguçava ainda mais o desejo de D.Miguel de conhecer o país dos seus antepassados e onde seu Pai fôra Rei.
Contou como cúmplice desse projecto com o cunhado Henrique de Bourbon-Parma, a quem o projecto de imediato interessou.

A viagem esteve projectada para 1880, mas a terceira gravidez difícil da mulher, Elisabeth de Thurn und Taxis
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que veio a falecer depois de dar à luz a Infanta D.Maria Teresa (17.12.1881), levou-o a ir adiando o projecto.

Em 1882, com dois filhos varões (a assegurarem a sucessão) e uma filha, que deixou aos cuidados da Mãe, D.Adelaide, D.Miguel considerou que era chegado o momento para a viagem tão desejada e rumou a Veneza para, com a irmã e o cunhado, empreender a viagem tão sonhada.

A viagem fez-se, como seria de esperar, a bordo do Adelgonda.

Houve várias paragens, em Viareggio, onde se reuniram com os Bourbon-Parma Roberto e Margherita, e seguidamente em Menton, onde reencontraram a irmã Maria José e o cunhado Carl Theodore.
Compreensivelmente, foi grande a emoção da despedida, com D.Maria José secretamente a desejar acompanhar os irmãos naquela aventura.

Igualmente grande foi a emoção quando cruzaram a fronteira luso espanhola formada pelo rio Guadiana e estiveram finalmente frente à costa portuguesa.

O destino programado era a vila da Ericeira, porto piscatório a cerca de 40km a norte de Lisboa.
(Spoiler - Curiosamente, seria da Ericeira que a família real partiria para o exílio quando a monarquia foi deposta em 1910).

Na Ericeira esperavam-nos os apoiantes da causa miguelista, D. Fernando Luís de Sousa Coutinho Castelo Branco e Meneses, conde de Redondo e marquês de Borba e D. António Luis de Pereira Coutinho, conde de Soidos, que, tomados de emoção, receberam as reais pessoas, mas rapidamente os retiraram para a Quinta do Bonjardim em Belas
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perto de Sintra, suficientemente perto de Lisboa, mas convenientemente recatada e propícia a uma retirada estratégica, se necessário fosse.

A visita prosseguia calma até que um dia, quando contemplavam a vista de Lisboa do alto do miradouro de São Pedro de Alcântara - local de visita obrigatório dada a magnífica panorâmica de que se usufrui
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Henrique teve uma das suas crises e tiveram que se recolher apressadamente ao Hotel Central onde se hospedaram sob nomes falsos.
Depois de uma forçada estadia em Lisboa, o regresso fez-se discretamente a Belas.
Consta que o Rei D.Luis I
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se terá interessado pelo estado de saúde do doente, fazendo vista grossa da presença dos primos em Portugal.

A visita prosseguiu por Sintra, maravilhando-se D.Aldegundes com o ecléctico Palácio da Vila e as suas características chaminés
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Daí partiram para Vila Viçosa, onde admiraram o Paço dos Duques de Bragança
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cabeça da Casa de Bragança.

Depois rumaram a Norte, a Guimarães, o berço da nacionalidade, onde visitaram o Castelo
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a Igreja de S.Miguel, onde, segundo a lenda, terá sido baptizado o primeiro Rei de Portugal
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e o Paço dos Duques de Bragança, hoje primorosamente restaurado, mas, na altura, em lamentavel ruína
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Em Coimbra, num roteiro histórico, visitaram as Igrejas de Santa Cruz, panteão onde jaz o primeiro Rei de Portugal D.Afonso Henriques
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de Santa Clara, onde jaz a Rainha Santa Isabel
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E as semanas iam prosseguindo calmamente entre Belas e Alcochete entre recepções mais ou menos discretas.

Até que D.Aldegundes, melómana inveterada, fez questão de assistir a uma récita no Teatro São Carlos.
Ainda para mais, estava em cena a ópera l'Africaine de Giacomo Meyerbeer, peça ficcionada que relata os amores de
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Vasco da Gama com uma princesa indiana.

Foi grande a azáfama entre os Bragança e os seus anfitriões e tudo se conjugava para uma noite de ópera bem passada.
No entanto, quando começava o quinto e derradeiro acto, um oficial afastou a cortina do camarote do conde de Pombeiro e chamou-o à parte, dando-lhe conta de que houvera uma denúncia de quem tinha reconhecido os dois filhos de D.Miguel e ele estava incumbido de lhes solicitar que iniciassem imediatamente os preparativos para abandonar o país com a maior brevidade.

Foi um balde de água fria, para quem acreditava que a Lei do Banimento era "letra morta" e se podiam deslocar livremente no país, onde a sua presença, sendo conhecida das autoridades, era tolerada, até porque sempre se abstiveram de qualquer actividade política activa, limitando-se a recordar os feitos do reinado do Rei D.Miguel I.

Assim acabou, precipitadamente, a visita a Portugal de D.Miguel II e dos condes de Bardi.

Numa história que poderia ter tido um final diferente.
Ao subir a bordo, D.Aldegundes confiou ao marido, radiante, que estava de novo grávida. Grávida de um filho gerado em Portugal, o seu "filho português" como ela gostava de lhe chamar, e que se convenceu de que este, sim, haveria de vingar.
Lamentavelmente, a história viria a repetir-se, e o "filho português", como todos os outros, não lhe daria a satisfação de conhecer a maternidade.


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