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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 22 May 2019 12:39 
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Apreciado José, gracias por un hilo interesantísimo, escrito además en la hermosa lengua portuguesa. Es un placer leer un texto tan bien documentado, ilustrado y redactado.


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 22 May 2019 15:50 
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Gracias :thumbup: pelas tuas amáveis palavras.

O tema acabará com a numerosíssima descendência de Carlota Joaquina e, quiçá :whistling: de D.João VI.


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 26 May 2019 18:27 
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Registrado: 19 Feb 2017 20:07
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Descendência de D. Carlota Joaquina e (oficialmente) de D.João VI:

D.João e D.Carlota Joaquina (alegadamente) tiveram 9 filhos dos quais, coisa rara na época, só um morreu na infância.
Os filhos deixaram numerosíssima descendência em grande número das casas reais europeias (e brasileira) e em muitas casas nobres portuguesas.
Hoje em dia, estão nos seus tronos três dos seus descendentes : o Rei Philippe da Bélgica, o Grão Duque Henri do Luxemburgo e o Príncipe Hans-Adam do Liechtenstein (todos da linha miguelista).

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1) O primeiro fruto do casamento entre D.João VI e D. Carlota Joaquina não foi o esperado filho varão, mas uma princesa.

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D.Maria Teresa Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga, princesa da Beira e herdeira do trono até ao nascimento se deu irmão D.António em 1795 , nasceu em Lisboa, a 29.04.1793 vindo a falecer em Trieste a 17.01.1874.

Nasceu no palácio da Ajuda (há quem refira que foi em Queluz) e teve por padrinhos o avô o rei Carlos IV (representado por seu sobrinho o Infante Pedro Carlos de Borbon y Bragança) e a avó D.Maria I, que, devido à doença mental que a atormentava, foi representada pela tia-avó D.Maria Francisca Benedita, princesa do Brasil.
Para comemorar o seu nascimento, foi inaugurado o Teatro Real de São Carlos, criado para substituir a Ópera do Tejo, destruída no terramoto de 1755, sendo representada a ópera La Ballerina Amante de Domenico Cimarosa.


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Foi a mais bela e saudável dos filhos do casal e a penúltima que veio a falecer.

Pouco se sabe sobre a sua infância, conhecendo-se que falava e escrevia francês e espanhol, tendo estudado história e religião.
Em 1806, quando morreu Maria Antónia de Nápoles, primeira mulher de Fernando VII, Carlota Joaquina quis casá-la com o irmão, projecto que não terá ido avante devido à sua pouca idade.

Godoy chegou a pedir informações da Infanta ao embaixador espanhol em Lisboa, Conde de Campo Alange que deu esta descrição de D.Maria Teresa :
“Conta treze anos, sendo de estatura mediana para a sua idade. Bem feita de corpo, de feições regulares e de olhos lindos. É de côr morena e goza de excelente saúde . É dotada de um aspecto nobre e voluntarioso, é afável e inspira o maior respeito”.

Partiu com a Família Real para o Brasil em 1807 e aí veio a casar, em 13 de Maio de 1810, no Rio de Janeiro, com seu primo o infante Pedro Carlos de Borbon y Braganza (1786-1812), único filho sobrevivente de seus tios Gabriel de Borbon e Mariana Victoria de Bragança (acima referidos).

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Órfão de pai e mãe aos 2 anos, fulminados pela varíola, juntamente com o irmão recém-nascido, D.Pedro Carlos foi criado na corte de Espanha, mas D.Maria I, que sentiu muito a morte da filha, solicitou a Carlos IV que o infante fosse educado por ela em Portugal, ao que o rei de Espanha acedeu.

D.Pedro Carlos dispunha de uma enorme fortuna, herdada de seu Pai.
Foi nomeado Infante de Portugal e acompanhou a família real quando a corte se deslocou para o Brasil.
Tinha uma saúde débil tendo sofrido de varíola, epilepsia e manifestações de natureza tuberculosa.

Sem quaisquer ambições políticas, dedicou-se à jardinagem e carpintaria.
Foi nomeado Presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa, cargo meramente honorífico dado que os estatutos impunham que essa presidência fosse entregue a um príncipe da Casa de Bragança.
Estando a viver no Rio de Janeiro, nunca chegou a entrar na Academia.

D.João nomeou-o Almirante General da Marinha Portuguesa.
Foi também Grão Prior de S.João de Jerusalém, cavaleiro do Tosão de Ouro e grã-cruz das Ordens de Carlos III, de Cristo, de Aviz e da Torre-e-Espada.

O casamento teve a declarada oposição de Carlota Joaquina, que pretendia casar a filha com o irmão Fernando VII, sentando-a no trono de Espanha.
Por outro lado, Carlota Joaquina via neste casamento um obstáculo às suas pretensões ao vice-reinado das colónias sul-americanas espanholas, pois D.João tinha manifestado que não se oporia a que aquele casal viesse a subir a um qualquer trono sul-americano, que Carlota Joaquina ambicionava para si.

D.João via com bons olhos a candidatura de D.Pedro Carlos a um trono sul-americano, tendo o seu nome sido falado tanto para o Reino do Rio da Prata – com oposição declarada de Carlota Joaquina :twisted: - como para o Trono do Vice-Reino da Nova Espanha – o actual México, o que já mereceu o apoio de Carlota Joaquina. Quanto mais longe, melhor :thumbup: !

Mais uma vez, D.João impôs a sua vontade e o casamento fez-se.
Quando foi comunicado a Carlota Joaquina o consentimento de D.João ao enlace da Infanta D.Maria Teresa com D.Pedro Carlos, esta terá replicado “Melhor fora que me viessem dizer que caiu a um poço” . >:)

Foi um casamento feliz, se bem que breve, tendo D.Pedro Carlos falecido subitamente vítima de uma tuberculose galopante, aos 26 anos em 4 de Julho de 1812, estando sepultado no convento de Santo António no Rio de Janeiro.

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Ainda no Rio de Janeiro, depois de enviuvar, foi concertado o casamento da Infanta D.Maria Teresa com Fernando III, grão-duque da Toscânia (1769-1824),
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viúvo de Luisa das Duas Sicílias desde 1802, projecto que a Infanta recusou devido à avançada idade do noivo, que tinha mais 24 anos que a Infanta.

Depois do regresso da Família Real do Brasil, em 1821, D.Maria Teresa pouco se demorou em Lisboa, rumando a Madrid onde se instalou com o filho.
Tinha recebido instruções de D.João VI para não se imiscuir na política espanhola, e começou por cumpri-las, sendo aclamada em Madrid como a Princesa Liberal.
Cedo foi arrastada para o turbilhão das questões dinásticas locais, por influência da irmã D.Maria Francisca de Assis e do tio e cunhado Carlos Maria Isidro, cujas pretensões defendeu.
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Muito conservadora, D.Maria Teresa apoiou o irmão D.Miguel
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na sua tentativa de implantar o absolutismo em Portugal, tendo, inclusivamente, sido reconhecida pelo partido absolutista como herdeira do trono de Portugal, uma vez que D.Miguel se mantinha solteiro.

De igual modo, apoiou o tio e cunhado Carlos Maria Isidro na disputa pelo trono espanhol, depois de Fernando VII ter abolido a Lei Sálica e proclamado a filha Isabel como sua sucessora.
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Após a revogação da Lei Sálica através da Pragmática de 1830, e não pretendendo reconhecer a sucessão da sobrinha Isabel, D.Maria Teresa e o filho D.Sebastião, assim como o casal D.Maria Francisca-Carlos Maria Isidro estabeleceram-se em Portugal, encabeçando a resistência carlista.

Em 1834, com a derrota simultânea da realeza de D.Miguel I e as derrotas carlistas em Espanha, os três partem para Inglaterra, onde D.Maria Francisca de Assis adoeceu gravemente e veio a falecer.
Pressentindo a aproximação da morte, D.Maria Francisca pediu à irmã que casasse com Carlos Maria Isidro e velasse pelos seus 3 filhos.

Por Lei de 1837, tanto a Infanta D.Maria Teresa (enquanto descendente de Carlota Joaquina), o filho Sebastião, o cunhado D.Carlos e seus filhos foram excluídos da sucessão ao trono, por se rebelarem contra a coroa.
Destes, só D.Sebastião viria a ser reabilitado e re-incluído na linha sucessória.

O segundo marido de D.Maria Teresa foi, assim,o seu tio e cunhado Carlos Maria Isidro (1788-1855) em 1838 que ela sempre apoiou politicamente e considerou como o verdadeiro rei de Espanha.
D.Maria Teresa teve sempre boas relações com os sobrinhos, filhos de sua irmã D.Maria Francisca.
O casal estabeleceu-se em Trieste, onde D.Maria Teresa voltou a enviuvar em 1855 e faleceu em 1874, com quase 81 anos, a penúltima dos filhos de D.João VI e D.Carlota Joaquina a partir.

Carlos Maria Isidro tinha casado em Março de 1816 com sua sobrinha a Infanta D.Maria Francisca de Bragança (1800-34), terceira filha de D.João VI e D.Carlota Joaquina sobre a qual escreveremos à frente.

Do seu 1º casamento, D.Maria Teresa teve um único filho, D.Sebastião Gabriel Maria Carlos Juan José Francisco Javier de Paula Miguel Bartolome de San Geminiano Rafael Gonzaga de Borbon y Braganza (1811-75), infante de Portugal desde o nascimento, e de Espanha por graça de seu tio Fernando VII, em 1824.

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A Mãe, a partir do Brasil, zelou cuidadosamente pelo património do filho, o qual incluía o riquíssimo vínculo do Priorado de Leão e Castela.

D.Sebastião acompanhou a mãe e o padrasto na 1ª guerra carlista contra Isabel II, o que lhe valeu que a regente Maria Cristina lhe confiscasse todos os títulos espanhóis incluindo o de infante de Espanha, e todas as honras e o excluisse da linha sucessória e o condenasse ao exílio.

Contra a vontade da Mãe, que pretendia um casamento prestigioso com uma princesa austríaca ou de Modena, D.Sebastião, a instâncias de Fernando VII, casou a 25 de Maio de 1832 com Maria Amália de Bourbon-Duas Sicílias (1818-57), irmã mais nova da rainha Maria Cristina, que tinha conhecido em Madrid quando do casamento de Maria Cristina com Fernando VII em 1829. O casamento não teve descendência.
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D.Maria Teresa opôs-se a este casamento por temer um reforço do “partido napolitano” em Madrid, juntando-se Maria Amália às irmãs Luisa Carlota e Maria Cristina.
(Uma irmã de Maria Amália e Maria Cristina, Maria Carolina, tinha casado com Carlos Luis, filho mais velho de Carlos Maria Isidro !!!)
No entanto, Maria Amália soube conquistar o afecto da sogra pelo seu apoio ao Carlismo.

Pouco fiável nas suas convicções, D.Sebastião começou por apoiar Fernando VII e Isabel II, o que lhe valeu áspera condenação da Mãe.
Rapidamente se passou para a facção carlista, tendo abandonado Espanha e fixado residência na corte de Nápoles, junto da família da mulher.
Depois da morte de Carlos Maria Isidro, em 1855, e de Maria Amália, em 1857, D.Sebastião repensou as suas opções e, em 1860, escreveu a Isabel II, pedindo-lhe autorização para regressar a Madrid e prometendo-lhe o seu apoio.
Esta mudança de campo valeu-lhe uma nova condenação áspera da Mãe e dos primos carlistas, mas recuperou os títulos e honrarias perdidas e até a reposição na lista sucessória.

Isabel II aceitou o reconhecimento de Sebastião e acolheu a “ovelha negra” que regressou ao rebanho, impondo-lhe o casamento (em 2as núpcias em 19 de Novembro de 1860) com a prima Maria Cristina de Borbon, a Infanta boba, (1833-1902).

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filha do Infante Francisco de Paula e irmã do rei consorte Francisco de Assis.
Sebastião e Maria Cristina tiveram 5 filhos que foram duques de Marchena, Durcal e Ansola e Hernani.

Quase todas as filhas de Francisco de Paula tinham sido … problemáticas.

Isabel Fernandina, a mais velha, aos 16 anos, fugiu do convento para casar com um nobre polaco sem vintém Ignatz de Gurowski. O casamento teve descendência mas não durou muito.

Seguiram-se Luísa e Josefa. Luísa também casou abaixo do seu nível com o duque de Sessa, José María Osorio de Moscoso.
Com Josefa, ou Pepita, as coisas ainda correram pior ! Perdeu-se de amores com um poeta cubano, José Güell y Renté.
Fugiram, casaram clandestinamente, tiveram filhos e separaram-se quando Pepita percebeu que o marido tinha várias amantes e estoirava a fortuna da mulher.


A mais nova das irmãs, Amalia, foi a única que fez um casamento igual, em 1856, com o príncipe Adalberto da Baviera, iniciando o ramo dos príncipes hispano-bávaros.

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Restava em casa Maria Cristina, feia, desengraçada, e supostamente atrasada.
Era preciso “arrumá-la”, de preferência com alguém do seu nível, e o casamento com D.Sebastião fez parte do preço a pagar por este para voltar ao lar e às mordomias borbónicas.


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2) Em 21 de Março de 1795, nasceu no Palácio de Queluz o tão esperado primeiro filho varão de D. João, D. Francisco António Pio, que faleceu com apenas seis anos, em 11 de Junho de 1801. Tinha o título de príncipe da Beira.

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Sendo o herdeiro presuntivo do herdeiro da Coroa, D.João pretendeu e conseguiu que o Papa Pio VI aceitasse ser Padrinho do novo Príncipe da Beira.
Da sua curta vida, nada se destacou.
Enquanto primeiro filho de D.João foi mais uma vítima da “Maldição dos Bragança” que ceifava a vida aos primogénitos desde a subida ao trono de D.João IV.

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3) Seguiu-se a princesa D. Maria Isabel Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xaviera de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga, nascida no Palácio de Queluz, em 19 de Maio de 1797, e falecida em Aranjuez a 29 de Novembro de 1818, com apenas 21 anos de idade, e sepultada no Mosteiro de Escorial.

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Partiu aos 10 anos com a família para o Brasil, onde viveu de forma discreta.
Como alguns dos irmãos, D.Pedro, D.Maria Isabel ou D.Maria da Assunção, sofria de epilepsia.
Subitamente surgiu a proposta de casamento duplo vinda de Madrid, destinada a reforçar as relações entre os dois países.
D.Maria Isabel desposaria o Rei Fernando VII e sua irmã D.Maria Francisca, desposaria o infante Carlos Maria Isidro.

O projecto mereceu algumas reservas a D.João que acabou por o aceitar.
O casamento esteve tremido porque o enviado plenipotenciário que Espanha fez deslocar para o Rio de Janeiro, Miguel Lardizábal, não era membro da nobreza, o que foi julgado ofensivo por D.João VI, que o fez esperar 6 meses até finalmente o receber e começar a tratar os detalhes dos casamentos :-O .

Na altura, foi decidido, algo estranhamente, que a Mãe, Carlota Joaquina, acompanharia as duas infantas no regresso à Europa, de forma incógnita, viajando esta com o título significativo de Duquesa de Olivença :cool: , numa manifestação de afirmação de propriedade daquela vila, ocupada por Espanha desde a Guerra das Laranjas.

A morte da Rainha D.Maria I a 20.03.1816 atrasou as celebrações.
Por outro lado, a morte da sogra implicava a subida ao trono de Carlota Joaquina, motivo porque abandonou a ideia de acompanhar as filhas na viagem a Espanha.
Os casamentos (por procuração) celebraram-se a 22.02.1816 e as Infantas partiram do Rio de Janeiro a 3 de Julho, a bordo da nau S.Sebastião.
Chegaram a Cádiz a 4 de Setembro, tendo os casamentos sido confirmados na catedral no dia seguinte.
No dia 11.09 finalmente partiram para Madrid onde conheceram os seus maridos.
Tornou-se rainha da Espanha ao contrair casamento, em 22 de Fevereiro de 1816, com seu tio D. Fernando VII (13.10.1784- 29.9.1833)
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Fernando VII foi um dos reis mais desprezados de Espanha. Um mulherengo que dispensava pouco crédito às esposas e que mereceu da sua primeira sogra os piores adjectivos. Feio, bruto, gordo, de pernas tortas, vago e antipático, assim descreveu María Carolina de Nápoles o monarca que, ainda para mais (!), não sabia “caçar nem pescar” :thumbdown: .

Inculto e sem vontade de aprender, permanece alvo de troça num episódio com o duque de Wellington, a quem preferiu oferecer quase uma centena de quadros do que pensar o que fazer com eles. O episódio permitiu que quase metade do espólio artístico de Aspley House, residência em Londres dos Wellington, seja composto por estas preciosidades.
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Em Apsley House encontra-se também a Baixela da Victoria, em prata dourada, oferta de D.João VI a Wellington, como prémio pela ajuda prestada nas Guerras Peninsulares.
http://relvateresa.blogspot.com/2015/10 ... toria.html

De carácter pusilâmine, Fernando VII não teve rebuço em gritar «Viva el Emperador, nuestro Augusto soberano, viva la Emperatriz!» no casamento de Napoleão com Maria Luisa, e, noutra ocasião, supremo lambe-botas, escreveu-lhe uma vergonhosa carta em que dizia ambicionar ser filho adoptivo do Imperador:
«Mi mayor deseo es ser hijo adoptivo de S. M. el emperador nuestro soberano. Yo me creo merecedor de esta adopción que verdaderamente haría la felicidad de mi vida, tanto por mi amor y afecto a la sagrada persona de S. M., como por mi sumisión y entera obediencia a sus intenciones y deseos».

D.Maria Isabel sofria em silêncio, e, para a história ficam as cartas que escrevia à sua mãe e um diário íntimo cheio de entradas melancólicas.
“A resignação é a divisa dos santos”, responderia, pragmaticamente, Carlota Joaquina.
A resignação é um sentimento que nunca assentou a Carlota Joaquina. Mas também ninguém a acusou de ser santa :hehe:

Desprezada pelo marido que a trocava pelas prostitutas de Madrid, refugiou-se no amor às artes, tendo ficado ligada à fundação do Museu do Prado.

Quando perdeu a primeira filha, teve um grande acesso de melancolia, e o casal transferiu-se para El Escorial.
O mosteiro tinha ficado seriamente danificado quando das invasões francesas. Fernando, consciente de que não tinha capacidade (nem vontade) de estar à frente da sua reconstrução, reconhecendo os talentos artísticos de Maria Isabel, propôs-lhe que presidisse às obras de reconstrução.
No Escorial, a Rainha descobriu a enorme colecção de pinturas que Habsburgos e Bourbons tinham reunido ao longo de séculos.
Estavam lá acumuladas também obras diversas que os franceses tinham pilhado por toda a Espanha e que tinham armazenado no Escorial para as levar para França, mas que, na retirada apressada, lá tinham deixado.
A Rainha considerou estarem criadas as bases para a fundação de um grande Museu, tendo obtido a aprovação e o apoio do Rei para a sua criação.
D.Maria Isabel não teve a felicidade de ver concluída a sua grande obra em Espanha, pois morreu no ano anterior ao da inauguração do Museu com que sonhara.
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D.Maria Isabel engravidou por duas vezes.
A 21.08.1817 nasceu a 1ª filha a infanta Maria Luisa Isabel que morreu com 4 meses em 9 de Janeiro de 1818.
Em 1818 voltou a engravidar. A 26.12.1818 iniciou-se um parto foi difícil e altamente desgastante tendo a rainha colapsado.
Apesar de avisados pela irmã D.Maria Francisca de que a Rainha sofria de ataques epilépticos, pensando que tinha morrido, os médicos (ou carniceiros ?) começaram a cortar a Rainha numa cesariana improvisada, destinada a retirar o feto.
D.Maria Isabel, que apenas tinha desfalecido, acordou repentinamente, com dores extremas, horrorizada com o banho de sangue que lhe fora causado e, dando um lancinante grito, desta vez faleceu definitivamente.
A filha que carregava nasceu morta, e D.Maria Isabel passou à história como “a rainha que morreu duas vezes”
Jaz no Mosteiro do Escorial, no Panteão dos Infantes.

(Continua)


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 26 May 2019 18:57 
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Registrado: 17 Jul 2015 23:08
Mensajes: 1394
Qué bueno que estás de regreso, José.

¡Pobre María Isabel - "fea, pobre, y portuguesa"! Luego, la muerte tan horrible que tuvo . . .


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 28 May 2019 00:21 
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Registrado: 19 Feb 2017 20:07
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O 4º filho de D.João e D.Carlota Joaquina foi D. Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim

Nasceu a 12 de Outubro de 1798 no Palácio de Queluz, onde veio a falecer em 24 de Setembro de 1834.

Não teve uma educação muito cuidada, preferindo praticar desportos, como a equitação, e tinha especial prazer pela música, sendo o compositor do Hino Nacional de Portugal até 1910 (Hino da Carta) e do Hino à Independência do Brasil.
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Não teve uma educação muito cuidada, preferindo praticar desportos, como a equitação, e tinha especial prazer pela música, sendo o compositor do Hino Nacional de Portugal até 1910 (Hino da Carta) e do Hino à Independência do Brasil.
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Dois anos depois de se tornar herdeiro da Coroa, com a ascensão de D. João a rei de Portugal, D. Pedro casou-se, em 1818, com Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria.
Com o regresso de seu pai para assumir o trono de Portugal, após a Revolução do Porto, D.Pedro foi nomeado Príncipe Regente do Brasil em 22 de Abril de 1821. Pouco tempo depois, ao perceber que já começava no Brasil uma insatisfação contra o regime colonial, a corte portuguesa despachou um decreto ordenando que ele regressasse à Europa. O pedido provocou uma enorme comoção nacional e D. Pedro resolveu permanecer no Brasil, criando o famoso "Dia do Fico", ocorrido no dia 9 de Janeiro de 1822. "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico", disse o então príncipe.
A decisão enfureceu o país e a corte portuguesa, tendo seguido para o Brasil uma carta com uma série de retaliações caso este facto se consumasse.
Designadamente, eram-lhe retirados os poderes enquanto Príncipe Regente, devendo acatar as ordens vindas de Lisboa.
Assim que recebeu a mensagem, durante uma viagem entre Santos e a capital paulista, D. Pedro, nas margens da Ribeira do Ipiranga, proferiu o famoso grito do Ipiranga "Independência ou Morte!", proclamando a Independência Política do Brasil, em 7 de Setembro de 1822, rompendo definitivamente as relações do Brasil com Portugal. Quando regressou ao Rio de Janeiro, foi consagrado imperador e defensor perpétuo do Brasil.

Entretanto a popularidade de D.Pedro foi decaindo.
modo como (mal)tratava a Imperatriz, física e moralmente, impondo a presença da amante Domitília na Corte, a derrota na Guerra de Cisplatina, os desastres sofridos na Europa com o mano Miguel a denunciar o acordo segundo o qual deveria casar com D.Maria II e jurar a Constituição, e em vez disso a ocupar o Trono português, a incapacidade para lidar com o parlamento brasileiro, D. Pedro foi incapaz de lidar com os problemas simultâneos do Brasil e Portugal, abdicando por fim do trono brasileiro em 7 de Abril de 1831 a favor do seu filho mais novo Pedro II e partindo para a Europa para assegurar o trono da filha, adoptando o título de Duque de Bragança.

D.Pedro invadiu Portugal em Julho de 1832 ao comando de um exército. Inicialmente o seu envolvimento parecia ser uma guerra civil portuguesa, porém logo o conflito ficou maior e englobou toda a Península Ibérica numa disputa entre defensores do liberalismo e aqueles que queriam de volta o absolutismo: Os Miguelistas em Portugal e os Carlistas em Espanha.

Os liberais de D.Pedro acabaram por ganhar, D.Maria II reconquistou o seu trono, mas a vitória de D.Pedro foi de pouca dura.
Poucos meses depois da vitória, D.Pedro acabou por morrer de tuberculose em 24 de Setembro de 1834.

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D.Pedro, curiosamente, nasceu e morreu no mesmo aposento, o Quarto D.Quixote, no Palácio de Queluz.
http://lisboa.360portugal.com/Concelho/ ... oDQuixote/
Vejam-se os medalhões sobre as portas.

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No quarto, gravura da 2ª mulher D.Amélia Augusta de Leuchtemberg e da filha do 2º casamento, D.Maria Amélia

D.Pedro esteve sepultado no Panteão de S.Vicente de Fora em Lisboa até 1972, data em que foi transladado para o Brasil no âmbito da celebração dos 150 anos da Independência.

Foram várias as tentativas para a transladação do corpo de D.Pedro para o Brasil.
A primeira tentativa deveria ter tido lugar em 1908 quando da projectada visita de D.Carlos ao Brasil, que levaria e ofereceria à nação irmã o corpo do bisavô.
O assassinato de D.Carlos impediu a oferta.
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Nova tentativa em 1922, quando da celebração do centenário da independência, também se gorou.
Finalmente, em 1971, o presidente de Portugal, contra-almirante Américo Thomaz, concordou em transladar e presentear o Brasil com os restos mortais do imperador. Aos portugueses falou sobre o sacrifício em prol de enriquecer e fortalecer os laços entre a comunidade luso-brasileira. “Assim repartidos entre Portugal e o Brasil os despojos de D.Pedro serão bem o símbolo de uma raça que, divida entre duas Pátrias, permanece, todavia, fiel à alma que lhe dá carácter no mundo e inspira pelos tempos afora os destinos lusíadas”, disse Américo Thomaz, deixando claro, que o coração não viria. Permaneceria na cidade do Porto, já que o próprio D.Pedro deixou-o, em testamento, à cidade.

Acompanhou o corpo, em representação da Família Imperial, a Princesa Teresa d’Orléans-Bragança, irmã da Condessa de Paris e da Duquesa de Bragança.
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/trans ... -pedro-iv/
Foi sepultado no Monumento à Independência do Brasil, também conhecido por Monumento do Ipiranga ou Altar da Pátria em São Paulo, perto da Ribeira do Ipiranga, local icónico de onde partiu a independência do Brasil.

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Nesse monumento, repousam as suas duas esposas também.
Agradecido pelo apoio prestado pela cidade do Porto – a quem sua filha D.Maria II conferiu o título de "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta", D.Pedro, por testamento, doou o seu coração ficasse para sempre na Igreja da Lapa no Porto.

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ATENÇÃO: As imagens da sequência dos vídeos podem ser consideradas chocantes !
https://www.youtube.com/watch?v=6yxuzcoiMIs

D.Pedro IV na filatelia:
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D.Pedro abandonou o Brasil, de madrugada, sem se despedir sequer dos filhos que deixava, Pedro, o futuro imperador, Januária, Francisca e Paula Mariana.
Justificou-se dizendo que, se se despedisse, não teria coragem para os abandonar.

Uma curiosidade (grin) :
Uma das principais praças de Lisboa é popularmente designada como “o Rossio”, nome que lhe vem da Idade Média.
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Praça de contornos irregulares, onde se situava o Hospital de Todos-os-Santos, que viria a ser arrasado com o Terramoto de 1755, com a reconstrução de Lisboa, veio a dar lugar a uma praça ampla e rectangular, tendo a edilidade de Lisboa, anos mais tarde, decidido homenagear o Imperador, dando-lhe o nome com que reinou em Portugal – Praça D.Pedro IV.
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Mas os vereadores acharam que era pouco e resolveram embelezar a praça.
Por essa altura, aportou a Lisboa um navio que transportava uma estátua em bronze do Imperador Maximiliano do México.
Mas por essa altura Maximiliano já tinha sido destituído e fuzilado e as autoridades mexicanas não tinham qualquer interesse na estátua e recusavam-se a pagá-la.
A Câmara de Lisboa terá aproveitado a ocasião e realizado um bom negócio, adquirindo a estátua que ninguém queria e colocando a mesma em cima de um pedestal tão alto que ninguém perceberia que não se tratava de D.Pedro mas do malogrado Maximiliano.
Verdade ou falso ? As teorias dividem-se, mas a história faz parte do imaginário de Lisboa :yay: .

Um dado que sempre despertou curiosidade foi saber quantos filhos o primeiro imperador do Brasil teve durante os 36 anos que viveu :roll: . Sabe-se que com as suas duas esposas legítimas teve dez filhos (com a primeira nove, e com a segunda uma), e destes apenas quatro viveram o suficiente para proporcionar descendência a D. Pedro I.
Dos filhos naturais, destacam-se os que o monarca teve com sua mais ilustre amante, a Marquesa de Santos (cinco no total, sendo que dois chegaram à velhice).
A irmã da Marquesa, a Baronesa de Sorocaba também deu a luz um filho de D. Pedro. Estes três foram citados no testamento do Imperador, mas não tiveram direitos sucessórios à Coroa.
A lista continua com outros filhos que o Imperador chegou a conhecer, ou que eram publicamente lembrados como descendentes do monarca .

A primeira mulher de D.Pedro foi um trunfo bem jogado da diplomacia portuguesa, tendo-se conseguido um prestigioso casamento (1817) com a mais importante casa real e imperial católica, os Habsburgos de Áustria.

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Leopoldina Carolina Josefa Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena
Leopoldina foi a 2ª filha sobrevivente do casal imperial Franz I (1768-1835) e sua segunda esposa Maria Teresa de Nápoles (1772-1807)

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Francisco I Imperador Áustria Maria Teresa de Nápoles

A arquiduquesa nasceu no Palácio de Schonbrunn em Viena Imagen a 22 de Janeiro de 1797 e faleceu no Rio de Janeiro a 11 de Dezembro de 1826.
Recebeu uma cuidada educação, dirigida ao facto de que um dia seria um peão no xadrez matrimonial dos Habsburgos, tendo sido preparada para um dia reinar.
Órfã de mãe aos 10 anos, estabeleceu laços de grande amizade com a madrasta Maria Luisa de Habsburgo-Este, que morreria um ano antes de Leopoldina casar com Pedro.
Estudou leitura, escrita, alemão, francês, italiano, dança, desenho, pintura, história, geografia e música; em módulo avançado, matemática (aritmética e geometria), literatura, física, latim, inglês, grego, canto e trabalhos manuais
Tinha fortes interesses científicos, no campo das ciências naturais, especialmente botânica e mineralogia.
Quando foi contratado o casamento com D.Pedro, teve um curso intensivo de português que aprendeu facilmente.
Teve papel primordial nas negociações do casamento o Marquês de Marialva, de quem se falou a propósito das relações de Carlota Joaquina.
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D. Pedro José Joaquim Vito de Meneses Coutinho, 6º marquês de Marialva e 8º conde de Cantanhede (c. 1775-Paris, 22 de Novembro de 1823)

D. João VI pretendeu incluir nas negociações o casamento da infanta Dona Isabel Maria, Imagen
( que viria a ser regente do reino de Portugal de 1826 a 1828 e faleceria solteira) com um arquiduque austríaco, mas o tratado resumiu-se ao casamento entre D.Pedro e Leopoldina.

A cerimónia do casamento foi celebrada pelo Arcebispo de Viena, e realizou-se a 13 de Maio de 1817, data de aniversário de D. João VI.
O casamento foi realizado por procuração, na Igreja de Santo Agostinho, em Viena. D. Pedro foi representado pelo tio de Dona Leopoldina, o arquiduque Carlos da Áustria-Teschen.
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Maria Leopoldina e Pedro receberam uma bênção nupcial em 6 de Novembro de 1817, no Rio de Janeiro, quando do desembarque da princesa no Brasil.
A viagem foi longa e difícil durando 86 dias:
Leopoldina embarcou em Livorno, na Itália, na esquadra portuguesa composta das naus D. João VI e São Sebastião. Era a primeira vez que via o mar !
Na bagagem levava quarenta caixas da altura de um homem contendo o enxoval, livros, suas colecções e presentes para a futura família.
Com ela seguiam algumas damas da corte, uma camareira-mor, um mordomo-mor, seis damas, quatro pajens, seis nobres húngaros, seis guardas austríacos, seis camaristas, um esmoler-mor, um capelão, um secretário particular, um médico, um mineralogista e o seu professor de pintura.

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Desembarque de Leopoldina no Rio de Janeiro

A vida conjugal de Pedro e Leopoldina foi difícil e atribulada.
Nos 9 anos de casados teve 9 gravidezes, mas foi atormentada pela presença constante das aventuras extra-conjugais do marido, a principal das quais com a Marquesa de Santos, Domitília de Castro e Canto Melo, cuja presença na Corte o Imperador impôs como dama de companhia da Imperatriz.
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A tradição propagou que a morte de Leopoldina se ficara a dever a agressões que D.Pedro (e até a Marquesa) teriam infligido a Leopoldina, grávida do seu último filho, o que não se confirma, uma vez que à data da sua morte, D.Pedro estava no sul do país envolvido na guerra com o Uruguai.
No entanto, pouco antes de partir, D.Pedro tinha tido uma violentíssima discussão com D.Leopoldina.
O Imperador pretendia que a Imperatriz assistisse a uma função na Corte ao lado da Marquesa de Santos. A Imperatriz, ofendida, recusou o que deu lugar a uma luta, com o Imperador a arrastar a mulher, grávida, pelos cabelos.
O embaixador austríaco relatou mesmo que Leopoldina fora atirada por umas escadas, o que parece pouco provável, atento o avançado estado de gravidez e as consequências que isso teria.

Pouco antes de morrer. Leopoldina escreveu à irmã, a Imperatriz Maria Luisa:
“Há quase quatro anos, minha adorada mana, como a ti tenho escrito, por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado da maior escravidão e totalmente esquecida pelo meu adorado Pedro. Ultimamente, acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças. Muito e muito tinha a dizer-te, mas faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte”

No plano político, Leopoldina teve papel preponderante na independência do Brasil, ao arrepio da educação conservadora que tivera.

D. João VI regressou a Lisboa em 1821, deixando D. Pedro no Brasil, com o título de regente.
Leopoldina permaneceu junto ao marido e filhos, tanto mais que o decreto de D.João VI, ao instituir a regência, previa que ela substituísse D. Pedro, em caso da morte deste.
Mas as Cortes Constituintes portugueses exigiam o regresso do Brasil à condição de colónia, (depois de ter sido o Reino-Unido de Portugal e do Brasil) o que precipitou os acontecimentos:
A carta foi recebida por D.Leopoldina, na ausência do marido, e imediatamente compreendeu o alcance da mesma.
Apesar do seu conservadorismo –em carta para o Pai, em 1821, escrevia “O meu esposo, Deus nos valha, ama as novas ideias”, veio a distanciar-se desse ideário conservador e a apoiar os valores liberais a favor da independência do Brasil.

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Regente na ausência do marido, presidiu à reunião do Conselho de Ministros que se pronunciou a favor da independência do país em 2 de Setembro.
Esta foi proclamada pelo próprio príncipe, no dia 7 de Setembro de 1822. Em 12 de Outubro, foi aclamado imperador do novo país sul-americano, com o nome de D. Pedro I, tendo sido coroado no dia 1 de Dezembro.
D. Leopoldina tornou-se, assim, a primeira imperatriz do Brasil.


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 28 May 2019 17:18 
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Os Netos de Carlota Joaquina por parte de D.Pedro

I) Filhos Legítimos com a Imperatriz Maria Leopoldina :

1. D.Maria II da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Luisa Gonzaga. Sucessora de D. Pedro IV como Rainha D.Maria II de Portugal em 02/05/1826. Poderá merecer um dia o seu próprio tema.
Títulos :
4 de Abril de 1819 – 6 de Março de 1821: "Sua Alteza, a Princesa da Beira"
6 de Março de 1821 – 4 de Fevereiro de 1822: "Sua Alteza, a Sereníssima infanta Dona Maria da Glória"
4 de Fevereiro de 1822 – 12 de Outubro de 1822: "Sua Alteza, a Princesa da Beira"
12 de Outubro de 1822 – 2 de Dezembro de 1825: "Sua Alteza Imperial", a Princesa Imperial do Brasil"
2 de Dezembro de 1825 – 2 de Maio de 1826: "Sua Alteza Imperial", a Princesa do Grão-Pará"
2 de Maio de 1826 – até à morte: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha D. Maria II, pela Graça de Deus, Rainha de Portugal e Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
Pelo 1º casamento, foi ainda Duquesa de Leuchtenberg e de Santa Cruz, Princesa de Eichstadt, e pelo 2º Princesa de Saxe-Coburgo-Gotha e da Saxónia.
Gozou ainda dos títulos da Casa Real: Duquesa de Bragança, Duquesa de Barcelos, Marquesa de Vila Viçosa, Condessa de Arraiolos, Condessa de Barcelos,
Condessa de Neiva e Condessa de Ourém.


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D.Maria nasceu no Palácio de S.Cristóvão no Rio de Janeiro no dia 4 de Abril de 1819, como filha primogénita do Príncipe D.Pedro e de D.Leopoldina de Habsburgo.

Em virtude da abdicação do Pai, em 2 de Maio de 1826, tornou-se Rainha de Portugal com 7 anos. Fazia parte dessa abdicação que o tio Infante D.Miguel viesse a casar com D.Maria da Glória, então já D.Maria II.

Como se verá, o Infante aceitou as condições impostas pelo irmão e foi celebrado casamento (por procuração) de D.Maria com o tio D.Miguel a 29 de Outubro de 1826.
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D.Miguel encontrava-se, então, em Viena. Os “noivos” que se conheciam do tempo em que ambos viveram no Brasil, até 1821, nunca se chegaram a encontrar na Europa. O casamento viria a ser anulado em 1 de Dezembro de 1834 pelo Cardeal Patriarca de Lisboa.

Desde 1822 que era projecto de D.Pedro casar a filha com o irmão, tendo, para tal, escrito a D.Miguel, que, no ano anterior, viera com os Pais e Irmãs para Lisboa, convidando-o para voltar ao Brasil para “melhor poder namorar com a sua futura noiva”.
Em 1822 D.Miguel tinha 20 anos e D.Maria apenas 3 :surprised: !!!

D.Pedro decidira que a filha fosse educada em Viena, na corte do Avô, o Imperador Francisco I, e, para tal, confiou-a ao Marquês de Barbacena
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que a deveria acompanhar pela Europa, e, ao mesmo tempo, encontrar uma segunda esposa para o Imperador.
D.Maria só veio a sair do Rio em 5 de Julho de 1828 e, quando chegou à Europa, a Gibraltar, o Marquês de Barbacena tomou conhecimento de que D.Miguel regressara a Portugal e se proclamara Rei; Teve a perspicácia de entender que a realeza de D.Miguel tinha sido inspirado por Metternich
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Barbacena tomou a responsabilidade de, em vez de Viena, rumar para o Reino Unido e pedir a protecção e apoio do Rei Jorge IV
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No Reino Unido, D.Maria foi recebida com todas as honras, mas com pouca simpatia.
Na altura, governavam o reino os tories de Lord Wellington , afectos à causa de D.Miguel.
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D.Maria tentou atrair o Duque para o seu lado, dizendo-lhe. “Sei que noutros tempos, salvastes meu Avô ; espero que agora salvareis a neta”, mas a ingenuidade (ensaiada) da jovem de 9 anos não comoveu aquele que ficou conhecido como o Duque de Ferro – the Iron Duke.

A Rainha ficou à guarda da Duquesa de Palmela, D.Eugénia Telles da Gama Imagen e de D.Leonor da Câmara, marquesa de Ponta Delgada
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A 30 de Agosto de 1829, D.Maria II, a Madrasta D.Amélia de Leuchtenberg, Barbacena e parte do séquito que rodeavam D.Maria, deixaram Londres a caminho do Rio onde chegaram a 16 de Outubro de 1829.

Em Julho de 1830, uma revolução em Paris depôs o conservador Carlos X, substituindo-o pelo liberal Luis Felipe.
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Na mesma altura, os liberais também venceram as eleições em Inglaterra, mudando radicalmente o xadrez europeu, que passou a apoiar decididamente a causa de D.Maria II.
Em 1831, D.Pedro I abdicou da coroa brasileira a favor do filho mais novo D.Pedro II e rumou à Europa, com a filha e a segunda mulher.
Enquanto o casal imperial se fixou em Londres, D.Maria aportou a Brest, seguindo para Paris. Foi recebida com toda a cordialidade pela nova família real francesa, os Orléans, assim como por Guilherme IV, rei do Reino Unido.
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Nestas andanças, D.Maria II não só conheceu e criou laços de amizade com os príncipes de Orléans, filhos de Luis Felipe, mas também com a futura Rainha Victoria, da mesma idade de D.Maria, com quem viria a trocar correspondência e recordações durante toda a vida .
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Foi seguramente dos monarcas da sua época com mais contactos internacionais !

Sendo da mesma idade, no entanto, D.Maria casou muito mais cedo que Victoria, tendo-se permitido dar conselhos sobre a vida familiar à rainha inglesa:
Quando nasceu o primeiro rapaz de Victoria, Bertie, Dona Maria recomendou-lhe que evitasse os ciúmes da filha mais velha Vicky, como ela conseguira fazer quando o nascimento do Infante Dom Luís pôs em causa a "monarquia (caseira) absoluta" do bebé D.Pedro.
D.Maria e Victoria trocavam presentes e retratos. A rainha portuguesa chegou a tricotar toucas para os pequenos primos ingleses .

Ao saber da notícia da morte de D.Maria II, Victoria escreveu no seu diário: "Pobre querida Dona Maria, tinha os seus defeitos, mas também as suas grandes e boas qualidades. Os seus defeitos deviam-se a que ela realmente quase não tivera educação. Era uma esposa devotadíssima e amantíssima, uma mãe exemplar e uma verdadeira amiga afectuosa. Sempre gostei dela, tendo-a conhecido desde a sua infância, e embora não tenhamos voltado a encontrar-nos, costumávamos corresponder-nos constantemente e éramos muito íntimas."
Vitória e Alberto transportariam este carinho para o filho e herdeiro de Dona Maria, o jovem Rei Dom Pedro V, a quem tinham recebido na intimidade do seu lar, em Londres, aquando da inauguração da Exposição Universal de Londres, em 1851. No príncipe herdeiro português, Imagen Alberto de Saxe Coburgo parece ter encontrado uma comunhão de interesses que nunca chegaria a ter com o seu próprio filho, o rebelde Bertie, futuro Rei Eduardo VII de Inglaterra Imagen.

Em Paris, D.Maria II criará outra amizade para a vida com a filha do Rei Luis Felipe, Clémentine (1817-1907) com quem se corresponderá até ao fim.
Curiosamente as duas tornar-se-ão cunhadas pois Clémentine virá a casar com Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha o irmão mais novo do seu marido D.Fernando, o que muito contribuiu para o fortalecimento dessa amizade, já que Fernando e Augusto eram muito próximos.



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Clementina e Augusto pintados por Winterhalter

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O casal . O casal com os filhos

Reposta a realeza de D.Maria II depois da derrota de D.Miguel (oficialmente ainda seu marido), D.Maria pisou pela primeira vez solo português em 22 de Setembro de 1833, com pouco mais de 14 anos.
Foi curto o período de convivência entre Pai e Filha. Consciente de que a tuberculose que o minava e aumentava a cada dia e provavelmente por problemas hepáticos que o impediam de governar ou sequer ser regente durante a menoridade da filha, D.Pedro conseguiu que o governo declarasse a maioridade da filha aos 15 anos a 18 de Setembro de 1834, e veio a falecer 6 dias depois, a 24 desse mês.
O primeiro acto oficial de D.Maria II, em Setembro de 1834, foi conceder a seu pai, já entre a vida e a morte, a Grã- Cruz da Ordem de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito Imagen . Foi a própria rainha que lha colocou ao peito, perante a corte emocionada ao presenciar este gesto de justiça e ternura da jovem rainha .

D.Maria terá tido uma paixoneta por D.Alexandre de Sousa Holstein, 1º Conde do Calhariz (1812-32), filho mais velho dos Duques de Palmela, que com ela terá confraternizado em Londres quando sua Mãe a Duquesa foi tutora da princesa, mas D.Alexandre veio a morrer prematuramente.

Cumprindo o desejo do Pai, D.Maria II casou em Munique por procuração em 1 de Dezembro de 1834 e em pessoa em Lisboa em 26 de Janeiro de 1835 com o príncipe Augusto de Beauharnais, Imagen nascido em Munique a 9 de Dezembro de 1810.

O casamento realizou-se com grande pompa e tudo augurava um casamento feliz, dado que D.Augusto era um príncipe inteligentíssimo e de carácter elevado, e a própria diferença de idade poderia permitir ter um certo ascendente sobre a voluntariosa Rainha.
Mas D.Augusto veio a falecer subitamente com uma angina maligna, escassos dois meses depois a 28 de Março de 1835.
Não tendo gerado qualquer filho com a Rainha, não recebeu o título de Rei, sendo “apenas” Duque e Príncipe de Leuchtenberg e Duque de Santa Cruz, atribuído por D.Pedro no Brasil.

Falecido D.Augusto, era imprescindível encontrar novo marido para a Rainha.
Perfilaram-se várias candidaturas :
Em primeiro lugar, dois príncipes franceses, Luis, duque de Nemours (1814-96) e Francisco príncipe de Joinville (1818-1900), filhos de Luis Felipe e que D.Maria bem conhecia e apreciava.
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A Inglaterra opôs-se a estes casamentos por considerar que os mesmos poderiam representar um ascendente da França sobre Portugal, contrária aos interesses britânicos.

Outros candidatos foram o Arquiduque Alberto de Habsburgo-Teschen (1817-95) Imagen , considerado demasiado conservador, o príncipe Eugénio de Sabóia, conde de Villafranca (1816-88)Imagen ou até o irmão mais novo do falecido príncipe Augusto, o duque Maximilian de Leuchtenberg (1817-52) Imagen
Este último foi rejeitado por D.Maria por achar que ele tinha "cara de batata frita" :lol:

O noivo acabou por ser encontrado numa pequena Casa alemã que estava a começar a ter uma expansão política enorme na Europa.
Ferdinand de Saxe-Coburgo-Gotha nascido em Viena a 29 de Outubro de 1816 pertencia ao ramo católico da família.
Era sobrinho do Rei Leopoldo I da Bélgica e primo da Rainha Victoria e do marido desta o Príncipe Alberto.
Após o nascimento do filho primogénito, recebeu o título de Rei, facto que causou alguma inveja ao primo Alberto que se julgava merecedor da mesma honra.

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Filho do príncipe Fernando Augusto Jorge e da princesa Antónia de Koháry

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As negociações foram longas, pois o noivo era possuidor de grande fortuna e propriedades, e o Pai quis acautelar o seu futuro, sendo certo que teria que renunciar à fortuna paterna e, sobretudo, materna.
O contrato de casamento foi assinado em finais de 1835 e o casamento celebrado em Coburgo, por procuração, a 1 de Janeiro de 1836 e na Sé de Lisboa a 9 de Abril daquele ano.
http://antt.dglab.gov.pt/wp-content/upl ... CAS3_7.pdf

D,Maria II e D.Fernando II tiveram 11 filhos, tendo a Rainha morrido quando do parto do último, sendo a única Rainha-Reinante a morrer nessas circunstâncias.
Dada a dificuldade dos últimos partos, a Rainha tinha engordado muitíssimo, ao ponto de a Rainha Victoria tinha enviado para Lisboa o seu médico com a última novidade da época, o clorofórmio.
D.Maria terá recusado, declarando “Se morrer, morro no meu posto”.

Filhos de D.Maria e D.Fernando:

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D. Pedro V de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1837-1861) casou com Estefânia princesa de Hohenzollern-Sigmaringen (1837-59)

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Infanta D.Maria Ana (nada morta em 4.10.1840)

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Infante D.João de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1842-1861) Duque de Beja

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Infanta D.Maria Ana de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1843-1884) casou com Jorge, príncipe herdeiro e mais tarde Rei da Saxónia

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Infanta D.Antónia de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1845-1913) casou com Leopoldo príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen (1835-1905)

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Infante D.Fernando de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1846-1861)

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Infante D.Augusto de Bragança Saxe Cobourg Gotha (1847-1889) Duque de Coimbra e de Caminha
Infante D.Leopoldo de Bragança Saxe Cobourg Gotha (nado-morto a 7.05.1849)
Infanta D.Maria da Glória de Bragança Saxe Cobourg Gotha (nada-morta a 3.02.1851)
Infante D.Eugénio Maria de Bragança Saxe Cobourg Gotha (nado morto a 15.11.1853).


Retomando a descendência de D.Pedro e D.Leopoldina

2. D.Leopoldina sofreu um aborto espontâneo. (Cf.: Carta de Maria Leopoldina a sua tia, de 14/12/1819).
3. D.Miguel Príncipe da Beira. (Rio de Janeiro, 26/04/1820 – Rio de Janeiro, 26/04/1820).
4. D.João Carlos Pedro Leopoldo Borromeu, Príncipe da Beira. (Rio de Janeiro, 6/03/1821 – Rio de Janeiro, 4/02/1822).


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D.Januária Maria Joana Carlota Leopoldina Cândida Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, Infanta de Portugal. (Rio de Janeiro, 11/03/1822 – Nice, 13/03/1901).
Com o seu nome, os Pais quiseram homenagear a cidade do Rio de Janeiro.
Foi a última princesa portuguesa filha de D.Pedro, pois pouco após o seu nascimento, o Pai proclamou a independência do Brasil.
Perdeu a Mãe aos 4 anos e sentiu muito a partida do Pai, da Madrasta e da Irmã quando tinha apenas 7 anos.
Aos 14 anos, o seu nome foi avançado para exercer a Regência em nome do irmão mais novo D.Pedro II, mas o projecto não teve seguimento.
No ano anterior, em 1835, depois da morte do príncipe consorte Augusto de Leuchtenberg, o seu nome tinha sido proposto para sucessora de D.Maria II caso a Rainha viesse a morrer sem descendência, mas, como estava na linha sucessória ao trono brasileiro, a proposta foi rejeitada.
Enquanto mais velhas das filhas de D.Pedro I a residir no Brasil, recebeu o tratamento de Princesa-Herdeira até o irmão ter descendência.
Quando se quis tratar o casamento de D.Pedro, aproveitou-se para tratar também o da Princesa.

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Foi escolhida a casa das Duas Sicílias, casando os irmão Januária e Pedro com dois irmãos napolitanos Luigi conde Áquila (1824-97) e Teresa Cristina (1822-89).
Dada a sua elevada posição na Corte, no tratado de casamento ficou determinado que o marido da Princesa tomaria os seus títulos e honrarias e seria Alteza Real e Imperial, títulos que manteria mesmo depois do Imperador D.Pedro II ter descendência.
Na qualidade de príncipes-herdeiros, no entanto, era-lhes exigido que residissem no Brasil.

Luigi Carlo Maria Giuseppe principe di Borbone delle Due Sicilie (1824-97) foi o 11º e penúltimo filho do rei Francisco I das Duas Sicílias e da sua segunda mulher Maria Isabel de Espanha – irmã da nossa Carlota Joaquina !

Foi candidato à mão de Isabel II de Espanha ou de sua irmã Luisa Fernanda, mas recusou ambas.
Optou pelo casamento brasileiro, família onde, no ano anterior, sua irmã Teresa Cristina tinha casado com o Imperador D.Pedro II.
O casamento de Luigi e Januária ocorreu a 28 de Abril de 1844 na Capela Imperial do Rio de Janeiro.
O casal estava destinado a permanecer no Brasil, uma vez que D.Januária era a herdeira do irmão D.Pedro II, e, pelo menos até o Imperador ter um herdeiro, os condes de Áquila estavam na primeira linha da sucessão.
No entanto, a notória antipatia entre D.Pedro II e o cunhado, e o nascimento logo em 1845 do Príncipe Imperial, permitiram que Luigi e Januária pudessem partir para a Europa e instalar-se em Nápoles.

Em 1848, Luigi foi nomeado Vice-Rei da Sicília mas nunca chegou a tomar posse do cargo devido às revoltas na ilha.
Discordou frontalmente da actuação do sobrinho Francisco II quando do processo da unificação italiana.
Desconfiado da lealdade do tio, e suspeitando que aquele quisesse destroná-lo ou, pelo menos, tornar-se regente do reino, Francisco, pouco antes de ser destronado (1861) condenou o tio ao exílio. Luigi veio a morrer em Paris em 1909 sem nunca ter voltado a Itália ou ao Brasil.

D.Januária e Luigi tiveram 4 filhos:

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1. Príncipe Luigi das Duas Sicílias (1845-1909), Conde de Roccaguglielma. casou morganaticamente com Amelia Bellow-Hamel y Penot (1847-1914), com descendência.
2. Princesa Maria Isabella das Duas Sicílias (1846-1859).
3. Príncipe Filippo das Duas Sicílias (1847-1922). casou morganaticamente, em 1882, com Flora Boonen (1847-1912), sem descendência.
4. Príncipe Maria Emanuele das Duas Sicílias (nascido e falecido em 1851).

Ao contrário da irmã e cunhado Joinville, Januária e Luigi nunca visitaram Portugal nem D.Maria II, com quem a princesa não mantinha relações muito próximas.

Jazem no cemitério do Père Lachaise, em Paris.


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D.Paula Mariana Joana Carlota, Princesa do Brasil. (Rio de Janeiro, 17/02/1823 – Rio de Janeiro, 16/01/1833).
D.Paula nasceu no Palácio Imperial de S.Cristóvão.
Se a irmã Januária tinha recebido esse nome (incomum entre a Família Real Portuguesa) em homenagem ao Rio de Janeiro, Paula também recebeu um nome nunca antes usado pelos Bragança, mas desta vez em homenagem à cidade de S.Paulo, berço da proclamação da independência brasileira.
Perdeu a Mãe aos 3 anos e aos 8 o Pai abandonou-a com os irmãos Pedro, Januária e Francisca para restaurar o trono de D.Maria II.
Foi a menos saudável dos filhos de D.Pedro, mas era dotada de um temperamento doce e resignado que fez com que não se queixasse quando as doenças a atacavam.
Paula adoeceu nos finais de 1832 vindo a falecer em 16 de Janeiro de 1833, um mês antes de completar os 10 anos de idade.
Apontam-se como causas da morte uma meningite ou malária.

Carta em que D.Januária anuncia a morte de D.Paula ao Pai.
“Amado papai. Apesar das nossas constantes súplicas aos céus, a nossa querida irmã Paula Mariana partiu. Não encontramos consolo. Nossa irmã tão amada não está mais connosco. Além disso, Pedrinho adoeceu seriamente. Chegamos a pensar que ele pegara a mesma febre de Paula Mariana, mas, graças aos céus, ele melhorou e já está sentado em sua sala de estudos. Para expressar nossa gratidão, nós, mana Chica e eu, sua filha Januária, ficaremos sem comer açúcar até o aniversário de Pedro, dia 2 de Dezembro. Amado papai, estamos desesperados e em grande desalento. O senhor nos faz muita falta e também sentimos muita saudade de nossa irmã Maria da Glória e de todos que estão com o senhor em Lisboa. Com a promessa de lhe sermos sempre filhos obedientes e amorosos, Januária, Francisca e Pedro.”

Por indicação de D.Pedro I, foi sepultada junto da Mãe D.Leopoldina no Convento de Nossa Senhora da Ajuda.
Mais tarde, os corpos foram transladados para a Igreja de Santo António, onde jazem vários dos Bragança brasileiros.


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D.Francisca Carolina Joana Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga, Princesa do Brasil. (Rio de Janeiro, 2/08/1824 – Paris, 27/03/1898).
Uma das mais interessantes filhas de D.Pedro e de D.Leopoldina, D.Francisca perdeu a Mãe com menos de três anos, e aos sete anos perdeu o Pai, a Madrasta e a irmã mais velha que, numa madrugada, partiram para a Europa, nunca mais tendo visto o Pai.

Foi educada por uma perceptora D. Maria Carlota de Magalhães Coutinho, na austeridade do Palácio de São Cristóvão, onde imperava uma monotonia conventual e pardacenta, imposta pelos mentores e pelo irmão, D. Pedro II, tendo-lhe sido ministrada uma educação muito rigorosa. Muito positiva, era uma pessoa muito alegre e divertida que a todos bem dispunha.

Veio a casar com François de Orléans, príncipe de Joinville, terceiro filho do Rei Luis Felipe de Orléans, rei dos franceses e da rainha Maria Amélia das Duas-Sicílias.

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Francisco d'Orléans Joinville e os Pais Luis Felipe e Maria Amélia de Nápoles.

Joinville tinha sido um dos possíveis noivos de D.Maria II, juntamente com o irmão Nemours, mas a Inglaterra opusera-se, temendo que Portugal resvalasse para a esfera de influência francesa.

Almirante da Marinha Francesa, François, em 1837, tinha sido incumbindo de ir à Ilha de Santa Helena buscar os restos mortais de Napoleão Bonaparte e levá-los de volta à França.
Tendo aportado no Brasil, foi recebido pelo imperador D. Pedro II e conheceu sua irmã, a jovem princesa D. Francisca por quem se apaixonou.
Regressou ao Brasil em 1843, casando-se com a princesa no dia 1 de Maio.
O casal seguiu então na fragata La Belle Poule para a França, atracando em Brest.

Francisca terá enjoado no final da viagem e, quando desembarcou, escandalizou os franceses ao pedir um caldo de … papagaio :)) :surprised: :-D !!!

A “mana Chica”, como era tratada por D.Maria II e por D.Pedro II, cedo se tornou uma das mais populares figuras da família real francesa.
Com a inevitável pronúncia francesa, a família do marido baptizou-a como “Chicá”, tendo ela baptizado o marido como “Chicô”, formando o casal os “Chicôs”, trocadilho com “Les chics”.
Francisca e François formavam o mais boémio casal entre a família real francesa. Com menos pressão que os filhos mais velhos de Luis Felipe, à noite frequentavam os cafés, restaurantes e teatros de Paris; pela manhã, galopavam no Bois de Boulogne.

Tiveram dois filhos : Françoise (1844-1925) que viria a casar com o primo Robert duque de Chartres (1840-1910) antepassados do actual conde de Paris e Pierre duque de Penthièvre (1845-1919) que nunca casou, mas deixou descendência ilegítima .

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Françoise e Robert duques de Chartres

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Pierre duque de Penthièvre.

Na Europa, teve a felicidade de reencontrar a irmã D.Maria II que não via desde os sete anos, tendo o casal Joinville visitado Lisboa várias vezes.

Foi instrumental no casamento das duas sobrinhas, filhas de D.Pedro II, a princesa herdeira D.Isabel e sua irmã D.Leopoldina.
Consultada pelo irmão, Francisca propôs o próprio filho Pierre duque de Penthièvre e o sobrinho Philippe conde da Flandres, o que muito agradou a D.Pedro II por estreitar relações com as casas reais da França e da Bélgica.

Ambos declinaram – Pierre não quis abandonar a carreira na marinha e ter que se habituar a ser um príncipe-consorte numa corte rígida e protocolar; Philippe recusou-se a abandonar a Europa e instalar-se no Brasil.

Francisca escolheu então dois sobrinhos:
Isabel era suposto casar com Luis Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha, filho de Clementina de Orléans (irmã de Francisco de Joinville) e Leopoldina casaria com Gastão, conde d’Eu, filho de Luis de Orléans, duque de Nemours, outro irmão de Joinville e pretendente à mão de D.Maria II.
A propósito de Gaston, D.Francisca escreveu ao irmão D.Pedro II : "Se pudesses agarrar este para uma das tuas filhas, seria excelente. Ele é robusto, alto, boa figura, boa índole, muito amável, muito instruído, estudioso, e, além do mais, possui desde agora uma pequena fama militar".
Referia-se à campanha de Marrocos onde Gaston tinha servido no exército espanhol.

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Isabel e Gaston d'Orléans conde d'Eu

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Leopoldina e Luis Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha

Os dois primos embarcaram para o Rio de Janeiro, mas, quando chegaram, para desespero da família Saxe-Coburgo, Luis Augusto sentiu-se mais atraído pela princesa D.Leopoldina, deixando aberto o caminho para a mão da herdeira do trono ao ambicioso primo conde d’Eu.

Teria mesmo dito ao primo que achava as duas irmãs bastante feias :thumbdown: , mas que preferia Leopoldina, a menos feia. O conde d’Eu, naturalmente, agarrou a oportunidade que, de forma tão surpreendentemente, lhe caiu ao colo :DD .

Para gáudio de todos, o Imperador D.Pedro concordou com a troca de noivos e o duplo casamento pôde realizar-se.
O visconde de Taunay deixou esta descrição dos dois primos : “o duque de Saxe só mostrava gosto e vocação para passar a vida folgada e divertida, muito amante de caçadas, apreciador acérrimo da Europa e dos muitos gozos que lá se podem desfrutar à farta, ao passo que o conde d'Eu, com todos os defeitos que lhe possam apontar, estremecia viva e sinceramente o Brasil e, acredito bem, ainda hoje o ame com intensidade e desinteresse". A nota é posterior à instauração da República e abdicação de D.Pedro II.

Francisca e François jazem no Panteão dos Orléans em Dreux.

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A prosa vai longa.
Seguir-se-á com o Imperador D.Pedro II


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 28 May 2019 20:10 
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Fabuloso todo el relato. Gracias :thumbup:


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 28 May 2019 21:17 
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Obrigado pelo apoio e incentivo (happy) .


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 09 Jun 2019 05:57 
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Tínhamos ficado na 7ª gravidez da Imperatriz D.Leopoldina de Habsburgo, nora da nossa Rainha D.Carlota Joaquina.


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8. D.Pedro II de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Rafael Gabriel Gonzaga, Príncipe Imperial do Brasil. (Rio de Janeiro, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891).

Em 1825 nasceu finalmente o tão desejado varão, depois da morte dos dois irmãos D.Miguel e D.João Carlos, um nado-morto e outro que não ultrapassou a primeira infância.
Um neto que Carlota Joaquina nunca conheceu…
Sucessor de D. Pedro I como Imperador D. Pedro II do Brasil em 7 de Abril de 1831, reinou durante 58 anos.

Subiu ao trono com apenas 5 anos em virtude da abdicação do Pai.
D.Pedro I deixou organizada uma regência que deveria subsistir até à maioridade (18 anos) de D.Pedro II. No entanto, o clima político degradou-se de tal forma, que ambas as facções deliberaram antecipar a maioridade política do jovem Imperador, o que aconteceu quando este ainda tinha somente 14 anos.
Extremamente bem preparado, conseguiu manter a unificação do Brasil que estava à beira do desmembramento.

D.Pedro perdeu a mãe D.Leopoldina com apenas 1 ano de idade.
Dois anos depois, o Pai casou com Amélia de Leuchtenberg, com quem criou laços de afecto que se prolongaram até à morte dela em 1873, tendo-se os dois correspondido regularmente, e a quem sempre tratou por Mãe.
Em 1831, D.Pedro I abdicou a coroa brasileira e rumou à Europa para defender os interesses da filha, deixando um conselho de regência e um conjunto de perceptores que se deveriam ocupar de D.Pedro II e das suas três irmãs, que nunca voltou a ver.

D.Pedro II foi um dos soberanos mais cultos do seu tempo, interessando-se por antropologia, geografia, geologia, medicina, direito, religião, filosofia, pintura, escultura, teatro, música, química, poesia e tecnologia.
Era um poliglota, falando e escrevendo para além do português, latim, francês, alemão, inglês, italiano, espanhol, grego, árabe, hebraico, sânscrito, chinês, provençal e tupi.

Conheceu e correspondeu-se com Nietzsche e Vitor Hugo e foi membro da Royal Society, da Academia de Ciências da Rússia, das Reais Academias de Ciências e Artes da Bélgica e da Sociedade Geográfica Americana. Em 1875 foi eleito membro da Academia das Ciências francesa.
Pacifista declarado, não hesitou em se pôr à frente do exército brasileiro nas guerras do Rio da Prata, do Paraguai e do Uruguai, em que o Brasil saiu vencedor.

A década 1870 inaugurou a época de ouro do Brasil.
Com prestígio interno e internacional, o Brasil desenvolveu-se rapidamente, estabeleceram-se novas indústrias, rasgaram-se estradas e vias férreas e o Brasil foi o 2º país a introduzir os selos postais, após a Inglaterra.

Um espinho se atravessava no caminho do Imperador – a escravatura.
O Brasil de 1800, habituado à escravatura desde o início das plantações de café e açúcar, não concebia a existência das mesmas sem escravos.
D.Pedro era opositor acérrimo da escravatura e nunca possuiu escravos. No entanto, politicamente, não tinha meios para pôr fim à mesma, limitando-se o Imperador a exprimir os seus sentimentos e a procurar sensibilizar os seus concidadãos.

Chegado o momento de casar, a Casa Real das Duas Sicílias adiantou-se e ofereceu a mão da princesa Teresa Cristina (Nápoles, 14 de Março de 1822 – Porto, 28 de Dezembro de 1889), tendo enviado um quadro altamente “photo-shopado” :lol: .

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D.Pedro ficou encantado com o quadro que lhe foi enviado e aceitou a celebração do casamento.
Quando a princesa aportou ao Brasil, o desapontamento do jovem Imperador, com apenas 17 anos, não podia ser maior.
A beleza de Teresa Cristina aparentemente ficara em Nápoles, sendo uma jovem desengraçada e sem atractivos físicos que coxeava visivelmente, que desembarcou no Rio de Janeiro.
D.Pedro, que tinha corrido ansioso para o navio que a transportara de Nápoles, abandonou o navio ao fim de meia hora, julgada protocolarmente aceitável.
Percebendo que tinha desagradado ao noivo, Teresa Cristina começou a chorar, ameaçando mesmo atirar-se ao mar :surprised: !

Os primeiros anos foram difíceis, e passou mais de um ano sem que a Imperatriz engravidasse.
Tal ficou a dever-se à relutância de D.Pedro em consumar o matrimónio, o que levou a mulher a desobrigá-lo do vínculo matrimonial e a pedir-lhe que a autorizasse a regressar a Nápoles.
Eventualmente a relação do casal melhorou com o tempo, por causa da paciência, bondade, generosidade e simplicidade de Teresa Cristina e em breve nasceria o primeiro filho, ainda para mais um rapaz, que infelizmente veio a falecer com 2 anos.

A imperatriz era uma pessoa muito culta, ponto em comum com o marido, e patrocinou expedições científicas no Brasil e em Nápoles.
Incentivou a imigração italiana para o Brasil.
Sofreu amargamente a revolução republicana que destituiu a Família Imperial, tendo adoecido e vindo a falecer de paragem cardio-respiratória no Porto, um mês após a deposição da monarquia a 28 de Dezembro de 1889 .

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A família imperial

Com o peso da sombra da vida devassa de seu Pai e a tristeza e amargura que isso provocara à Mãe (mais através de relatos que ouvira do que de testemunho do próprio, pois na altura tinha apenas um ano) D.Pedro levou uma vida bastante recatada do ponto de vista amoroso.
Ficou fortemente mal impressionado com a noiva que lhe foi destinada, mas soube adaptar-se e respeitá-la da melhor maneira que soube.

É-lhe apontada uma amante, a viscondessa de Barral.

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Luisa Margarida viscondessa de Barral -- com os Pais

Luísa Margarida de Barros Portugal (1816-1891) era filha do visconde da Pedra Branca, estadista brasileiro durante o governo de D.Pedro I e de sua esposa Maria do Carmo Gouveia Portugal, descendente de tradicionais famílias de cristãos novos da Bahia e do último rabino da Espanha antes da inquisição.
Luísa viveu entre o Brasil e França, tendo casado com Eugène de Barral, conde de Barral e 4.° marquês de Montferrat, parente distante de Alexandre de Beauharnais, Visconde de Beauharnais, primeiro marido de Josefina de Beauharnais, a famosa esposa de Napoleão Bonaparte. Isso fazia dele primo em 5º grau da Imperatriz do Brasil D.Amélia.
Em Paris, aproximou-se da Princesa D.Francisca Princesa de Joinville de quem se tornou amiga e dama de companhia, tendo-se tornado uma figura bem conhecida na corte de Luis Felipe.

Quando D.Pedro II pediu ajuda à irmã que lhe arranjasse uma perceptora para as filhas, D.Francisca indicou o nome de Luisa Margarida, que, nessa altura estando separada do marido, se deslocou para o Brasil acompanhada pelo filho.
De boas intenções está o Inferno cheio e mal sabia D.Francisca no que se ia meter …

Chegando ao Rio de Janeiro, Luísa Margarida tratou logo de estabelecer sua autoridade no palácio, contando para isso com a sua personalidade
exuberante, inteligência e beleza física. Muito culta e amiga de intelectuais e celebridades da época, como Franz Liszt, a condessa servia de intermediária entre o imperador e muitos intelectuais, com os quais D. Pedro II se correspondia.
Foi também nomeada dama de companhia da Imperatriz.

D. Pedro II sentiu-se atraído imediatamente pela condessa :love: , tão diferente da mulher, que, assim, se tornou sua amiga íntima e que, para a maioria dos historiadores contemporâneos, sua amante.
No entanto, os mesmos são geralmente unânimes em considerar que a paixão não passou de um amor platónico que nunca foi consumado fisicamente.
Não só o Imperador respeitava a Imperatriz, como Luisa Margarida, apesar de separada do marido, como rígida católica que era, nunca terá passado a fronteira do adultério.
Não obstante, a Barral granjeou o ódio (surdo) da Imperatriz D. Teresa Cristina , agravado quando uma das filhas lhe perguntou “Porque Papai está sempre acariciando o pé da Viscondessa ?” :ooops:

Cumprida a tarefa e crescidas as princesas, a Barral voltou à Europa, mantendo correspondência constante com o Imperador, que a visitou quando das suas viagens à Europa.
O relacionamento durou até à morte de Luisa Margarida em Janeiro de 1891.

Em 1871 D.Pedro II recebeu a triste notícia de que a filha mais nova, D.Leopoldina, tinha morrido de tifo em Viena.
Aproveitou a ocasião para fazer uma viagem há muito desejada pela Europa.
A primeira paragem foi em Lisboa, tendo-lhe sido prestada sincera homenagem pelo sobrinho D.Luis I, filho da irmã D.Maria II, conhecendo nessa altura a família real portuguesa, a Rainha D.Maria Pia e os príncipes D.Carlos e D.Afonso, o cunhado o rei viúvo D.Fernando II e a condessa de Edla, o sobrinho D.Augusto e a tia D.Isabel Maria .
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D.Luis I e D.Maria Pia
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com os filhos D.Carlos e D.Afonso
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D.Fernando II e a condessa de Edla, Infante D.Augusto e Infanta D.Isabel Maria

Em Lisboa, reencontrou a Madrasta D.Amélia,
Imagen que não via há 40 anos, tendo o encontro entre ambos sido emocionante.
A este propósito, D.Pedro escreveu "Eu chorei de felicidade e também de dôr por ver minha mãe tão afectuosa para comigo, mas também por vê-la tão idosa e doente".

De Lisboa, partiu para Espanha, Grã-Bretanha, Bélgica, Alemanha, Áustria, Itália, Egipto, Grécia, Suíça e França, recolhendo-se em Coburgo junto do túmulo da sua filha.
A viagem foi considerada um sucesso diplomático, tal como a que realizou em 1875 aos Estados Unidos – a primeira de um monarca àquele país.

Em 1877, nova viagem levou-o à Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, ao Império Otomano e à Grécia. Daí passou à Terra Santa, de novo ao Egipto, Itália, Áustria, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Países Baixos, Suíça terminando o périplo novamente em Portugal.

Os últimos anos trouxeram nuvens negras para D.Pedro.
Considerava que a morte dos dois filhos varões, enquanto crianças, foram um prenúncio do fim do Império.
Apesar de adorar a filha, a Princesa Isabel, considerava anti-natural que uma mulher ascendesse à chefia do estado, e não acreditava que os brasileiros aceitassem a filha como Imperatriz.

Ponderou até alterar a sucessão e nomear herdeiro o filho mais velho da filha Leopoldina, D.Pedro Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança.

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Pedro Augusto (1866-1934)

Por outro lado, a classe política que acolhera e aceitara D.Pedro, o Imperador-Menino, tinha-se afastado ou morrido, tendo sido substituída por uma nova geração que não acreditava nas vantagens da manutenção do Império.

Em 1888 foi aprovada a Lei Áurea, através da qual foi abolida a escravidão no Brasil
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Apesar de a Lei ter sido aprovada no Parlamento, os anti-abolicionistas apontaram a responsabilidade à Família Imperial, uma vez que tal Lei fora assinada pela Princesa Isabel enquanto Regente, durante uma visita de D.Pedro II ao estrangeiro.
O Brasil tornou-se, assim, o último país independente do continente sul-americano a abolir a escravatura.

Apesar de ser considerado o acto mais popular do Império, a abolição da escravatura não agradou um grupo importante da cena política: os proprietários rurais.
Não tendo recebido qualquer indemnização, fez com que os proprietários rurais rompessem com o Estado, já que suas fortunas se concentravam na posse de escravos, e assim aderem à causa republicana.

Tal como em Portugal, vinte anos depois, criara-se no Brasil, especialmente em S.Paulo, um pequeno, mas muito activo, partido republicano, com alguma influência dentro do Exército.
Houve um golpe de estado a que o Imperador deu ordens para que não fosse dada resposta .
Cansado, e descrente na possibilidade de que os brasileiros viessem a aceitar a filha como Imperatriz Reinante (conhecedor da pouca simpatia que o genro conde d’Eu conquistara), aceitou sem azedume a queda da Monarquia, desabafando : “Já trabalhei demais; Está na hora de gozar a reforma”.

A Família imperial embarcou para a Europa, rumando a Lisboa, onde o sobrinho-neto D.Carlos os recebeu com as honras possíveis.
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Os parentes brasileiros chegaram a Portugal em Novembro de 1889 e a Corte estava de luto pelo falecimento de Rei D.Luis falecido há cerca de um mês a 19 de Outubro.
Mesmo assim, D.Carlos ofereceu asilo à Família Imperial, cedendo-lhes um Palácio em Lisboa.

O Imperador, agradecido, recusou, não pretendendo viver à custa dos parentes portugueses. Viveu uns tempos no Porto, num modesto hotel, onde a Imperatriz veio a falecer três semanas depois de atracar em Portugal, e partiu para Paris para ficar mais perto da única filha que lhe restava, a Princesa Isabel.

No início de Dezembro de 1891, depois de um passeio em carruagem aberta à beira do Sena, num dia particularmente frio, contraiu pneumonia e veio a morrer no dia 5 de Dezembro.
As suas últimas palavras terão sido “Desejo paz e prosperidade para o Brasil”.

O seu corpo esteve na Igreja de la Madeleine em Paris, dado que o governo francês insistiu em dar-lhe um funeral de estado.
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Ao seu funeral compareceram, para além da família brasileira, o ex-rei Francisco II das Duas Sicílias, a ex-rainha Isabel II da Espanha, Luís Filipe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza europeia, para além de representantes de países tão longínquos como os Impérios Otomano, Persa, Chinês ou Japonês, tal o prestígio que D.Pedro II granjeara.

De Paris, o corpo foi transportado para a Igreja de S.Vicente de Fora em Lisboa, onde se juntou aos seus parentes portugueses.
Em 1921, preparando as comemorações do primeiro centenário da Independência do Brasil, o país onde reinara durante 58 anos reclamou os restos mortais do casal imperial.
Em 1939, numa cerimónia presidida pelo Presidente do Brasil, foi inaugurado o Monumento ao casal imperial na Catedral de Petrópolis.

Transladação restos mortais de D.Pedro e D.Teresa Cristina para o Brasil:
https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo. ... dor-324789

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Túmulo na Catedral de Petrópolis.À esqª do casal, D.Isabel, à dta o conde d’Eu.
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D.Pedro e D.Teresa Cristina tiveram 4 filhos:

Imagen Afonso Pedro, príncipe imperial nascido em 1845, morreu de epilepsia em 1847.

Imagen Isabel, princesa imperial (Rio de Janeiro, 29 de Julho de 1846-Eu, 14 de Novembro de 1921), casou com seu primo Gastão d’Orléans, conde d’Eu.

Imagen Leopoldina (Rio de Janeiro, 13 de Julho de 1847-Viena, 7 de Fevereiro de 1871), casou com Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha e

Imagen Pedro Afonso (19 de Julho de 1848 - morreu com febres e possivelmente uma encefalite a 10 de Janeiro de 1850) com a Mãe e as irmãs.

9. Finalmente a Imperatriz Maria Leopoldina sofreu um aborto espontâneo, de que resultou a sua morte.


Falecida a Imperatriz, D.Pedro não demorou muito a procurar uma substituta.
Depois de enviuvar de D.Leopoldina em 1826, D.Pedro iniciou uma frenética busca de uma segunda esposa que, para além de lhe proporcionar o aconchego conjugal, aceitasse ser a mãe dos seus filhos Maria da Glória, Januária, Francisca, Paula Mariana e Pedro, este apenas com 1 ano.

Com o cargo de Imperatriz vago, Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos Imagen , a mais influente das suas muitas amantes, passara a concentrar em si, se não o título, pelo menos as funções de consorte real, organizando bailes para a aristocracia, recebendo embaixadores e distribuindo cargos no governo para seus amigos e familiares. Tais prerrogativas faziam da marquesa de Santos uma provável candidata ao trono.
Possuía um carácter extrovertido, além de uma linhagem que, mesmo incomparavelmente inferior à de D. Leopoldina, contava com nomes importantes, como o de Inês de Castro.

Todavia, ciente da extrema impopularidade que o seu relacionamento com Domitila lhe valera perante os súbditos, D. Pedro I estava disposto a tomar medidas para restaurar sua própria reputação, e a alternativa mais óbvia para tal seria um novo casamento, não com uma nascida no Brasil, mas com uma princesa europeia de sangue real.

D. Pedro ligara-se à casa de Habsburgo, uma das potências mais importantes do período. Uma segunda união, por sua vez, permitir-lhe-ia estreitar ainda mais os laços com o continente europeu.
Diante disso, redigiu uma carta ao sogro, o imperador Francisco I, na qual dizia:

“Prezadíssimo sogro e meu amo,”
“Posto que no meu coração exista ainda muito vivamente a lembrança de minha prezada Leopoldina [...] que arranca de meus olhos lágrimas de externa saudade, contudo, vendo a necessidade de segurar bem o trono brasileiro e tomando o exemplo de Vossa Majestade já por três vezes dado vou pedir-lhe licença para efectuar segundas núpcias. Permita-me que agora lhe patenteie meu plano e possa ajudar-me a pô-lo em prática…”.


No entanto, as chancelarias tinham estado activas e os embaixadores estrangeiros no Rio não demoraram em fazer chegar aos seus países um retrato nada abonatório de D. Pedro, descrito como mulherengo, infiel e violento para com a Imperatriz.

Todas as Casas Reais fecharam as portas a um enlace com o Imperador, a começar pelos Habsburgos, pressionados por Metternich Imagen.

Os embaixadores de D.Pedro não sabiam para onde se voltar depois de terem levado tantas “negas” . Tinham corrido todas as cortes, e, uma vez esgotadas as hipóteses católicas, tinham mesmo procurado noiva entre as casas protestantes :surprised: .
As “noivas” de D.Pedro foram :

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Maria Anna da Baviera (1805-77) futura Rainha da Saxónia e a irmã Ludovica (1808-92) futura Duquesa na Baviera

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Maria Anna de Sabóia (1803-84) futura Imperatriz da Áustria Maria Cristina B.Sicilias (1806-78) futura Rainha de Espanha

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Pauline Wurttemberg (1810-56) futura duquesa de Nassau-Weilburg , Elisabeth Wurttemberg (1802-64) futura Princesa de Baden e Antoinette Wurttemberg (1799-1860) futura Duquesa de Saxe-Coburgo-Gotha

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Cecilia da Suécia (1807-44) futura GDqª Oldenburg e Amélia da Suécia (1805-43) nunca casou

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Marianne de Orange (1810-83) futura Princesa de Prússia e Luisa de Baden (1811-54) futura Princesa Vasa


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Augusta de Saxe Weimar (1811-90) futura Imperatriz da Alemanha , Guilhermina da Dinamarca (1808-91) Princesa da Dinamarca e Maria de Schleswig-Holstein (1810-69) cdª Lasperg (sem imagem)

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Frederica Schleswig-Holstein (1811-1902) futura Prª Anhalt , Louise d’Orléans (1812-50) futura Rainha da Bélgica e Maria Cristina de Sabóia (1812-36) Futura rainha das Duas Sicilias.

Decididamente, não ficou princesa por averiguar, mas a reputação de D.Pedro era um verdadeiro óbice.

Consta que de todas as candidatas, apenas Amélia da Suécia, doente e sofrendo de raquitismo, teria aceite a proposta :cheerleader: , logo descartada pelos embaixadores :thumbdown: .

Maria Cristina de Sabóia ter-se-ia deitado aos pés do pai, implorando-lhe a chorar que não a obrigasse a casar com o Ogre dos Trópicos Oo .

Surge entretanto uma outra candidata improvável – uma princesa negra do Haiti, filha de um rei afro-descendente, Henri I :shock: :-p :shock: .

D.Pedro começava a desesperar, tendo enviado as seguintes instruções aos seus embaixadores:

“O meu desejo, e grande fim, é obter uma princesa que por seu nascimento, formosura, virtude, instrução venha fazer minhas felicidade e a do Império.
Quando não seja possível reunir as quatro condições, podereis admitir alguma diminuição na primeira e na quarta, contando que a segunda e a terceira sejam constantes ” .
>:)

Estava difícil a tarefa do embaixador visconde de Pedra Branca quando este, subitamente, encontrou na casa dos Beauharnais uma candidata que atenderia aos desejos do soberano. Amélia de Leuchtenberg era uma bela jovem de 17 anos, alta para sua época, de pele rosada, olhos azuis e cabelos escuros. Satisfeito com o resultado, o marquês de Barbacena enviou para o seu amo uma carta, desta vez bem mais positiva que as anteriores:

“Aí tem, V.M.I., o retrato da linda princesa que, aconselhada por seu tio, o rei da Baviera, inimigo de Metternich e doador, como V.M., de constituições liberais, ousa passar os mares para se unir a um soberano que todos os ministros austríacos da Europa pintam como o assassino de sua mulher. O original é muito superior ao retrato”.

Por nascimento, Amélia de Leuchtenberg não chegava nem de perto à linhagem da primeira Imperatriz do Brasil: era filha do arrivista e recém-falecido Eugénio de Leuchtenberg (1781-1824) ex-vice-rei da Itália, (filho da Imperatriz Josefina e enteado de Napoleão), e de Augusta, princesa da Baviera (1788-1851), o lado respeitável da família :)) .

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Josefina de Beaharnais, o filho Eugénio e a mulher deste Augusta da Baviera.

Tal ligação poderia ser especialmente penosa para as pretensões austríacas, uma vez que os Beauharnais ganharam destaque com a ascensão de Napoleão Bonaparte, e declinaram com a derrocada do mesmo. Dessa forma, um casamento com um soberano de um vastíssimo Império seria uma proposta tentadora para a família da jovem Amélia.

A reacção de D. Pedro ao retrato da futura consorte foi muito satisfatória :DD . Conta-se, inclusive, que se teria apaixonado por ela no mesmo instante :love: .
O seu entusiasmo pode ser avaliado pela carta que enviou ao marquês de Barbacena dando provas da sua imensa satisfação pelo negócio do casamento ter ido até o fim, e, dramaticamente, pedindo-lhe “com lágrimas nos olhos, que diga à imperatriz o que lho digo com lágrimas nos olhos: meu coração pertence à querida Amélia e, se eu não tivesse tido o prazer de ver essa negociação bem-sucedida, o túmulo seria meu repouso eterno; é o coração que fala e o tempo me ajudará a prová-lo”.

O facto de a noiva ser neta da primeira mulher de Napoleão, exercia um fascínio suplementar sobre D. Pedro, uma vez que este se tornara grande admirador do Imperador.

Não deixa de ser curiosa a relação existente entre as 2 mulheres de D.Pedro.

D.Pedro partiu para o Brasil com a família real portuguesa, escapando às invasões francesas ordenadas por Napoleão.
No Brasil, veio a casar com Leopoldina de Habsburgo, a irmã dilecta de Maria Luisa, 2ª mulher de Napoleão e mãe do seu único filho.
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Mª Luisa com o filho l’Aiglon
Embora separada de facto de Napoleão, Mª Luisa nunca se chegou a divorciar do Imperador, pelo que, na prática, D.Pedro e Napoleão foram cunhados.

Se, pela primeira mulher, D.Pedro passou a ser cunhado de Napoleão, pela segunda uniu-se à neta de Josefina, filha do enteado querido do imperador. Para quem atravessara o Oceano para se escapar do tirano invasor, não deixa de ser irónico :lol: .

Concluídos os trâmites para o casamento, D. Amélia passara a ser instruída sobre a geografia do Brasil por Friederich von Martius, naturalista que estivera no país e catalogara muitas das peculiaridades do território, como a sua fauna, flora e costumes.
Também recebeu um curso intensivo da língua portuguesa.

No dia 16 de Outubro de 1829, aportou à baía de Guanabara, uma fragata transportando uma jovem princesa.
Chamava-se Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beauharnais, princesa de Leuchtenberg e de Eichstadt , e contava apenas 17 anos.

Sem se conter, D. Pedro I foi ao encontro da noiva tão esperada. Os jornais que haviam alardeado a sua beleza não se equivocaram. Ao encontrar a princesa prometida, D. Pedro I quase perdeu os sentidos por completo. Certas fontes referem que sofreu um ataque de epilepsia que os seus apoiantes transformaram num desmaio de paixão ! :lol:

Viúvo e repelido nas suas pretensões matrimoniais por má reputação, D. Pedro I só conseguiu uma noiva tão cheia de qualidades, graças aos esforços de seu embaixador em França, o Visconde de Pedra Branca de cuja filha falámos no capítulo de D.Pedro II, a viscondessa de Barral.
It's a small world.

No dia seguinte, a cidade engalanou-se para as bodas. Salvas de artilharia, iluminações, repiques de sinos e arcos triunfais saudaram o longo cortejo de carruagens, desde o Arsenal da Marinha até à Capela Imperial, onde se celebrou o casamento religioso. Encerrou-se a cerimónia com um Te-Deum cantado pelos professores da Câmara Imperial com música de autoria do próprio Imperador :bravo: .

D. Amélia adoptou o costume que vinha da época do Consulado napoleónico: o “vestido de casamento” longo, branco e acompanhado de véu de renda, como o que usou Carolina Bonaparte para esposar o general Murat.
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Apesar da pouca idade, D. Amélia veio para mudar a vida de D. Pedro I, mas, também a da sua Corte.
Ao chegar ao paço de São Cristóvão, ficou impressionada com a desordem.
O Imperador recebia a todos de qualquer maneira. Imediatamente tratou de disciplinar o palácio, impondo etiqueta e cerimonial, obrigando o cumprimento de horários e colocando o francês como língua oficial.
Além disso, introduziu o refinamento dos serviços e da indumentária.
Feminina, belíssima e jovem, com um marido profundamente apaixonado por si, D.Amélia inspirou a criação da Ordem da Rosa, condecoração criada pelo marido em sua homenagem, com a legenda “Amor e Fidelidade” Imagen ; também consolidou nos trópicos, um savoir-vivre, característico das Cortes europeias, com um requinte que há muito andava afastada dos palácios do Rio.
A seu pedido, D. Pedro renovou o mobiliário, recuperou cerimónias de ostentação, adquiriu tecidos finos, louças requintadas e objectos de decoração. O casal imperial recebia com monumental baixela em “vermeil”, actualmente pertencente à casa real sueca, e com peças em prata executadas pelo célebre Odiot;
Serviço de mesa de D. Amélia, com a inicial “A” em dourado ou o de casamento com cenas, paisagens, flores e frutos em policromia; Copos da família imperial em Baccarat e roupa de mesa em damasco, tendo nos cantos a inicial “A” sob coroa imperial.

O casamento de D. Pedro com a jovem D. Amélia representou um momento de calma no meio do turbilhão de acontecimentos que caracterizou o Primeiro Reinado. Graças a esse matrimónio, D. Pedro voltou a ser o monarca amado por toda uma nação e envolvido num idílio amoroso digno dos folhetins então publicados nos melhores jornais do país.
Na viagem para o Brasil, D.Amélia insistiu que o seu irmão Imagen Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg (1810-1835) a acompanhasse.
Embora aquele se tenha mostrado renitente, a Mãe insistiu que ele acompanhasse a irmã .
No Rio, passou a residir no Palácio Imperial de São Cristóvão e tornou-se muito próximo de D.Pedro que lhe concedeu o direito ao tratamento de Alteza Real e lhe concedeu o título de duque de Santa Cruz.
D.Pedro ficou tão agradado com o jovem cunhado que, mais tarde, ultrapassando outras propostas de casamento mais vantajosas, designadamente com alguns dos filhos do Rei de França, deliberou que Augusto viesse a casar com a filha Maria da Glória Imagen


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Amélia de Leuchtenberg nascera em Milão (o Pai era vice-rei de Itália) em 31 de Julho de 1812 e faleceu em Lisboa a 26 de Janeiro de 1873 com 60 anos.

Descendência de D. Pedro I com a Imperatriz Amélia de Beauharnais de Leuchtemberg
D.Pedro e D.Amélia tiveram uma única filha

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D.Maria Amélia Augusta Eugénia Josefina Luísa Teodolinda Heloísa Francisca Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, Princesa do Brasil. (Paris, 1/12/1831 – Funchal, Ilha da Madeira, 04/02/1853).
Única filha de D.Pedro e D.Amélia, nasceu em Paris em 1831, depois da abdicação do Pai.

Teve como padrinhos os reis de França, Luis Felipe e Maria Amélia .

Para assegurar os direitos desta filha, assim que ela nasceu, D.Pedro escreveu uma carta ao Parlamento e à Regência dando conta do nascimento de uma nova princesa brasileira, frisando que, apesar de esta ter nascido depois da abdicação, foi concebida antes desse acto, e, por isso, tendo direito a todas as prerrogativas que tinham as irmãs D.Januária e D.Francisca.

Quando a princesa tinha apenas um mês, D.Pedro deixou a família em Paris para fazer valer os direitos da filha mais velha D.Maria da Glória ao trono português.
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Estabelecida a realeza de D.Maria II e, 1833, a Rainha, a Imperatriz e a filha viajam para Lisboa, onde reencontram o Imperador, mas o período de convivência seria curto. Vítima de tuberculose, D.Pedro viria a morrer no ano seguinte.
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Órfã de pai com menos de três anos de idade, D.Maria Amélia estabeleceu-se com sua mãe, a imperatriz-viúva D. Amélia, em Portugal, numa situação de contornos mal-definidos.

Se, por um lado, não eram consideradas membros da Família Real Portuguesa, por outro lado o governo brasileiro recusou-se durante muitos anos a reconhecer a princesa como membro da Casa Imperial do Brasil, devido ao seu nascimento em território estrangeiro e posterior à abdicação do Pai.
À época, o Brasil era governado por uma Regência, em virtude da menoridade de seu meio-irmão, dom Pedro II, que, apesar de o querer, não pôde intervir em favor de D.Maria Amélia.
A Imperatriz-viúva tudo fez para que a filha fosse considerada princesa da Casa Imperial, e pudesse receber uma pensão do estado brasileiro igual à das irmãs Januária e Francisca.
O seu reconhecimento como Princesa do Brasil só ocorreria em 1841, com a maioridade do irmão.

A princesa recebeu uma educação esmerada, sendo muito hábil em desenho, pintura e piano. Era fluente em português, francês e alemão


No início de 1852, o arquiduque Maximiliano da Áustria, oficial da marinha austríaca, visitou Amélia e Maria Amélia durante uma escala em Portugal.
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A princesa já o conhecia de uma reunião familiar em Munique, em 1838.
Sofia da Baviera, mãe de Maximiliano, era meia-irmã de Augusta Amália, a avó materna de Maria Amélia, e ambas pertenciam à alemã Casa de Wittelsbach.
O arquiduque também era primo dos meios-irmãos de Maria Amélia, visto que seu pai, o arquiduque Francisco Carlos, era irmão mais novo da imperatriz dona Leopoldina.
Eles apaixonaram-se imediatamente e ficaram noivos. O noivado, no entanto, nunca foi oficializado, devido à morte prematura de Maria Amélia no Funchal, na ilha da Madeira, para onde se deslocara à procura de um clima mais ameno; no entanto, tal como o Pai, Maria Amélia também viria a morrer de tuberculose a 4 de Fevereiro de 1853.
O corpo foi transladado para Lisboa, ficando sepultada no Panteão de São Vicente de Fora, junto do Pai D.Pedro.
Em 1972, nos 150 anos da independência do Brasil, o seu corpo foi transladado para o Brasil sendo definitivamente sepultado na cripta do Convento de Santo António no panteão da Família Imperial.
Ficou conhecida como a Princesa Flor.

Em memória da filha, a Imperatriz fez construir o Hospital Princesa D.Amélia no Funchal, que dotou generosamente
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Tendo D.Amélia, no seu testamento, deixado o grosso da sua fortuna, jóias e património à irmã Josefina casada com Óscar I Rei da Suécia, esse legado impunha que a família real sueca continuasse a apoiar esse Hospital, compromisso que a Família Real Sueca continua a honrar

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Josefina de Leuchtemberg e Óscar I Rei da Suécia.

https://www.dnoticias.pt/madeira/silvia ... FI1318106#
A Rainha Sílvia da Suécia visitou por diversas vezes a Madeira.

II) Filhos naturais registados no testamento, mas sem direitos sucessórios à Coroa:

Muitos foram os filhos ilegítimos havidos com várias mulheres, calculando-se que ultrapassassem os 30.
Vão repartidos entre os filhos reconhecidos pelo Imperador e os não-reconhecidos.

1. Descendência de D. Pedro I com Domitília de Castro e Canto Melo, Marquesa de Santos
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Tumulo em S.Paulo, à esqª a filha condessa de Iguaçu

1. Um filho. (nasceu e morreu em 1823)
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D.Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Duquesa de Goiás. (Rio de Janeiro, 23/05/1824 – Murnau, Baviera, 03/11/1898). [Herdeira Testamentária]. Acompanhou o Pai, a Madrasta Amélia de Beauharnais e a meia-irmã D.Maria da Glória no regresso à Europa. Viveu em França e casou com Ernest Fischler, conde de Treuberg na Baviera com geração na Baviera
3. D.Pedro de Alcântara Brasileiro. (Rio de Janeiro, 4/12/1825 ¬ Rio de Janeiro, 13/03/1826).
4. D.Maria Isabel de Alcântara Brasileira, Duquesa do Ceará. (Rio de Janeiro, 13/08/1827 –25/10/1827).
5. Imagen ImagenD.Maria Isabel II de Alcântara Brasileira. (São Paulo, 28/02/1830 – Rio de Janeiro, 13/09/1896).
D.Pedro escreveu à marquesa de Santos, para que lhe enviasse D.Maria Isabel para a Europa, para ser educada como sua irmã D.Isabel Maria.
A Marquesa respondeu que “Quando D.Pedro mandasse buscar a filha, ela (Domitília) estava pronta para a acompanhar.”
D.Pedro não voltou a falar no assunto, mas mencionou esta filha no seu testamento e pediu à Imperatriz para a fazer vir para a Europa e a acolher como à própria filha.
Não se sabe se D.Amélia chamou aquela filha do marido, o que não é provável, mas esta permaneceu no Brasil onde veio a ser Condessa consorte de Iguaçu. [Herdeira Testamentária] ao se tornar a segunda mulher de Pedro Caldeira Brant, conde de Iguaçu (1814-81)

2. Filho de D. Pedro I com Maria Benedita de Castro e Canto Melo, Baronesa de Sorocaba (irmã de Domitília Marquesa de Santos) Imagen

1 Filho: Imagen Rodrigo Delfim Pereira. (Rio de Janeiro, 06/11/1823 – Lisboa, 31/01/1891). [Herdeiro Testamentário]. com larga descendência.

III) Outros filhos naturais:
Descendência de D. Pedro I com Anna Steinhaussen Filho : Augusto Steinhaussen (?, 1814 – Rio de Janeiro, 16/12/1828).
Descendência de D. Pedro I com Noémi Thierry Filho Pedro. (Recife 1818 – Recife 1818).
Descendência de D. Pedro I com Gertrudes Meirelles de Vasconcellos Filho Theotónio Meirelles da Silva. (Ouro Preto, 1822- depois de 1873).
Descendência de D. Pedro I com Letícia Lacy Filho Luiz Pablo Roquellas. (Rio de Janeiro, 25/04/1823-Bolívia, 1883).
Filho de D. Pedro I com Joana Mosqueira Filho José de Bragança. (?, década de 1820; viveu 2 anos).
Filho de D. Pedro I com Clémence Saisset Filho Pedro de Alcântara Brasileiro. (Paris, 23/08/1829- ¬ ?).
Filha de D. Pedro I com Andreza dos Santos Uma filha. ( ? 1831? ).
Filho de D. Pedro I com Ana Augusta Peregrino Faleiro Toste Filho Pedro. (?, 1833-1839).
Filho de D. Pedro I com Maria Libânia Lobo – açafata de D.Maria II, que aceitou ser madrinha deste meio-irmão Filho Pedro de Alcântara (Lisboa, 31/12/1833 – Lisboa, 14/01/1908).

IV) Outros filhos naturais cuja paternidade é duvidosa
Descendência de D. Pedro I com Adozinda Carneiro Leão Um filho. (?, 1821 ¬ ?, depois de 1830). [Paternidade não confirmada].
Descendência de D. Pedro I com Luizinha de Menezes Mariana Amélia de Albuquerque. (Rio de Janeiro, 1822 ¬ ?, depois de 1871). [Paternidade não confirmada].
Filha de D. Pedro I com Maria del Carmen García Uma filha. (2/08/1828-2/08/1828). [Paternidade não confirmada].
Filha de D. Pedro I com Florisbela Umbelina Rodrigues Horta Uma filha. (?). [Paternidade não confirmada].

IV) Outros filhos naturais cuja paternidade é duvidosa
Descendência de D. Pedro I com Adozinda Carneiro Leão Um filho. (?, 1821 ¬ ?, depois de 1830). [Paternidade não confirmada].
Descendência de D. Pedro I com Luizinha de Menezes Mariana Amélia de Albuquerque. (Rio de Janeiro, 1822 ¬ ?, depois de 1871). [Paternidade não confirmada].
Filha de D. Pedro I com Maria del Carmen García Uma filha. (2/08/1828-2/08/1828). [Paternidade não confirmada].
Filha de D. Pedro I com Florisbela Umbelina Rodrigues Horta Uma filha. (?). [Paternidade não confirmada].

E aqui se fecha o capítulo dedicado a D.Pedro, o filho mal-amado de Carlota Joaquina.


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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 16 Jun 2019 14:45 
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A 5ª filha de Carlota Joaquina foi a Infanta D. Maria Francisca de Assis de Maternidade Xavier de Paula de Alcántara Antónia Joaquina Gonzaga Carlota Mónica Senhorinha Soter e Caia Infanta de Portugal e de Espanha nasceu em Queluz a 19 de Maio de 1797 e veio a morrer em 11 de Setembro de 1834 em Alverstoke na Grã Bretanha.

Tinha apenas 7 anos quando partiu para o Brasil com a família. Também pouco se sabe sobre a sua educação ou gostos, que terá compartilhado com a irmã Isabel.

Conjuntamente com o casamento da irmã D.Maria Isabel com o Rei Fernando VII, foi contratado o seu casamento com o irmão (e presuntivo herdeiro) do rei, seu tio Carlos Maria Isidro.
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Havia de regressar à Europa com a irmã D.Isabel a bordo da nau S.Sebastião, já casada por procuração.
Ao contrário da irmã D.Maria Isabel, D.Maria Francisca encontrou a felicidade no casamento.

As personalidades de Fernando e Carlos Maria eram diametralmente opostas, sendo este de natureza bem mais afectuosa.
Profundamente católico e praticante, reprovava a conduta do irmão, ainda mais quando se tornaram “cunhados”.

Depois da morte da irmã Rainha de Espanha, D.Maria Francisca continuou a viver no Palácio do Oriente, onde teve a companhia da irmã mais velha D.Maria Teresa, princesa da Beira.
Ambas as Infantas gozavam de grande influência na Corte e tinham um papel preponderante mesmo durante o terceiro casamento de Fernando VII, até pelo carácter tímido e apagado da nova rainha, Maria Josefa Amália da Saxónia

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Maria Josefa ainda não completara os 16 anos quando casou.
Órfã de mãe aos três meses de idade, foi criada por freiras num convento, onde recebeu uma educação extremamente religiosa que determinou a sua conduta ao longo da vida.
Tendo passado toda a vida no convento, só saiu para se casar com Fernando VII, dezanove anos mais velho.
Maria Josefa era demasiado nova, ingénua e inexperiente, não tendo tido qualquer educação sexual, ficando horrorizada quando se confrontou com a obrigação de dormir com o marido, o que recusou até ao extremo, ao ponto de ter sido necessária a intervenção do Papa Pio VII, fazendo-lhe ver que não era moralmente criticável que um homem e uma mulher casados pudessem ter relações sexuais, desde que com a intenção de procriarem.

Mas do casamento não houve qualquer herdeiro e Maria Josefa gradualmente retirou-se da vida pública, passando largas temporadas em Aranjuez, na Granja de Santo Ildefonso ou no Palácio de Rio Frio.

Este afastamento da Rainha permitiu que as Infantas D.Maria Teresa e D.Maria Francisca se posicionassem como as figuras principais da Corte, tanto mais que, até então, Carlos Maria Isidro era o herdeiro da coroa, e, caso Fernando viesse a morrer, Carlos e Maria Francisca seriam os próximos reis de Espanha, agindo a Infanta como a primeira dama da Corte na ausência voluntária de Maria Josefa da Saxónia.

Em Maio de 1829 morrerá Maria Josefa e Fernando VII procura uma substituta que lhe dê o tão desejado herdeiro.
Pouco mais de 6 meses depois, Fernando VII casará com (outra) sobrinha, Maria Cristina de Bourbon Duas-SicíliasImagen e tudo mudará para as Infantas.
Maria Cristina rapidamente engravida e 10 meses depois do casamento dá à luz, não o esperado varão, mas uma filha, Isabel, nome da princesa espanhola, mãe da nova rainha.

Desesperado por não ter o desejado varão, o Rei começa a pensar em alterar a lei sucessória, que não permitia a sucessão às mulheres, o que, naturalmente, era contrário aos interesses do casal Carlos-Maria Francisca.
Criam-se assim duas facções, a Portuguesa, com Maria Francisca e Maria Teresa, e a Napolitana, com a nova Rainha e a sua irmã mais velha, Luisa Carlota, casada com o infante Francisco de Paula.

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Luisa Carlota exercia sobre a irmã uma grande influência e terá sido instrumental em convencer o Rei, através da mulher, para abolir a Lei Sálica e colocar no trono a filha da irmã, em vez do cunhado e a sua descendência portuguesa.
Começam as guerras Carlistas, sobre as quais não me alongarei porque os foristas espanhóis certamente estarão mais habilitados.

Centrando-nos em D.Maria Francisca, diremos que, acompanhada do marido e da irmão, abandonou Espanha e acolheu-se em Portugal, onde então reinava o irmão D.Miguel I, de quem eram próximos, pessoalmente e politicamente.
Instalaram-se perto de Sintra no Palácio do Ramalhão, que, anos antes, foi palco de exílio e intrigas de Carlota Joaquina (entretanto falecida) e que esta deixara em testamento ao filho.

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No palácio do Ramalhão foi apresentada a Carlos Maria Isidro a proposta de Fernando VII para jurar como herdeira da coroa a sua filha Isabel.
Carlos Maria Isidro recusou reconhecer a sobrinha e escreveu ao irmão a histórica carta, que esteve na génese do carlismo e da cisão irrevogável na família real espanhola, reclamando para si o direito à sucessão no trono, caso Fernando VII não viesse a ter sucessão masculina.

Fernando VII morre em 29.09.1833 e, a partir de então, o governo espanhol que vinha apoiando a realeza de D.Miguel, passou a defender os direitos de D.Pedro e D.Maria II, integrando a Quádrupla Aliança – Portugal (liberais), Espanha, França e Grã-Bretanha, e enviou um exército destinado a expulsar de Portugal tanto D.Miguel como D.Carlos.

A derrota de D.Miguel constituiu um duro revés para D.Carlos que foi autorizado a embarcar com a mulher e a cunhada para Inglaterra.
Pouco depois de lá chegar, D.Maria Francisca de Assis faleceu.
Como se disse no capítulo dedicado à Infanta D.Maria Teresa, sentindo a morte aproximar-se, D.Maria Francisca pediu à irmã que casasse com o marido, e o apoiasse sempre, a ele e aos filhos, o que D.Maria Teresa veio a cumprir

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Túmulos de Carlos Maria Isidro e D.Maria Francisca na Catedral de San Giusto em Trieste, onde Carlos é referido como Carlos V Rei de Espanha.

D.Maria Francisca e D.Carlos tiveram 3 filhos:

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Carlos (VI) cde Montemolin (Madrid 1818-Trieste 1861)
Sobrinho e afilhado de Fernando VII em quem este, até certo momento, depositou a esperança que lhe sucedesse caso o Rei não deixasse descendência.
Acompanhou o exílio dos pais para Portugal e Inglaterra em 1833 e 1834.
Tornou-se herdeiro do ideal carlista depois da abdicação do Pai em 1845, visando facilitar o casamento de Carlos com a prima Isabel II e unindo os dois ramos desavindos da família.
Todavia, à semelhança do tio D.Miguel, Carlos considerava insuficiente e desprestigiante ser mero rei-consorte, defendendo que deveria haver paridade de direitos entre ele e Isabel, como sucedera nos tempos dos Reis Católicos.

Nas incursões carlistas de 1860 foi detido pelas autoridades espanholas e teve que assinar um compromisso de abdicação dos seus direitos ao trono para recobrar a liberdade.
Em Trieste, retractou-se da abdicação, a pretexto que fora obtida sob coacção.
No entanto, o seu irmão Juan, que se proclamara herdeiro dos direitos carlistas com a abdicação do irmão, negou-se a reconhecer a retractação e manteve-se como sucessor daqueles direitos.

Casou em 10.07.1850 com a prima direita Carolina de Bourbon-Sicilia (Caserta 1820-Trieste 1861) .

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Carolina era filha da infanta Isabel de Espanha, irmã de Carlos Maria Isidro
A princesa era mais uma da grande fratria napolitana, sendo irmã, designadamente, da Rainha Maria Cristina, mulher de Fernando VII, de Luisa Carlota, mulher do Infante Francisco de Paula e de Maria Amelia, mulher do Infante D.Sebastião de Bourbon y Bragança. O casal não teve descendência.

A seguir ao Natal de 1860, Carlos Luis, a mulher e o irmão Fernando deslocaram-se a Brunsee, de visita à duquesa de Berry, irmã da sua mulher Carolina.
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No dia seguinte, Fernando sentiu-se mal, com sintomas de tifo ou escarlatina, tendo falecido a 2 de Janeiro de 1861.
Carlos e Carolina voltaram para Trieste, provavelmente contagiados mas sem saber.
Montemolin morreu a 13 de Janeiro e a mulher no dia seguinte.
Apesar de, oficialmente, a causa de morte ter sido o tifo, a sucessão de mortes na família levantou suspeições quanto a um possível envenenamento.
Jaz na Catedral de S.Giusto como Carlos VI, conde de Montmolin,
Curiosamente não está gravado Rei de Espanha...
Túmulo conjunto com a mulher.
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Juan III e a mulher Maria Beatriz de Áustria-Este
Foi irmão segundo de Carlos Luis o infante Juan (III) cde Montizon (Aranjuez 1822-Brighton 1887)
Tal como os irmão, acompanhou a família nos exílios português e inglês.
De orientação mais liberal que o irmão, recebeu escasso apoio dos carlistas, ao ponto de a madrasta, a Infanta D.Maria Teresa de Bragança, se ter posto à cabeça do movimento e ter proclamado o filho primogénito de Juan, o Infante D.Carlos, duque de Madrid, como rei legítimo de Espanha, sob o nome de Carlos VII.

Recusou o trono do México que lhe foi oferecido por Napoleão III Imagen e procurou uma aproximação com Isabel II.

Em 1868 abdicou definitivamente no filho e retirou-se para Hove na Inglaterra, onde viveu sob o nome Charles Monfort.
Em 1883, com a morte do Conde de Chambord, tornou-se pretendente legitimista ao trono francês, com o apoio directo da condessa-viúva de Chambord.
A Condessa de Chambord, nascida Maria Teresa de Habsburgo-Este, era a irmã mais velha da mulher de Juan, Maria Beatriz (1824-1906).
Juan e Maria Beatriz viviam separados desde 1853.

Juan e Beatriz tiveram dois filhos Carlos (VII) e Alfonso Carlos, duque de S.Jaime
Juan teve ainda, pelo menos, dois filhos ilegítimos com Ellen Sarah Carter que adoptaram o apelido Monfort e deixaram descendência.

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O seu corpo foi transladado para Trieste, jazendo numa campa onde consta como Juan III Rei de Espanha.



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Fernando José de Bourbon (Escorial 1824-Brunsee 1861) m.febre/escarlatina/tifo ?
Personagem menor da família, teve reduzida intervenção nas guerras carlistas.
Acompanhou a família nos exílios português e inglês. Tendo-se instalado em Trieste com a família faleceu em Brunsee na Áustria, vítima de febres ou escarlatina, quando, com o irmão e a cunhada, visitava a duquesa de Berry .
Morreu solteiro e sem descendência.
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 Asunto: Re: Carlota Joaquina de Bourbon
NotaPublicado: 23 Jun 2019 02:50 
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6. Infanta D. Isabel Maria da Conceição Joana Gualberta Ana Francisca de Assis Xavier de Paula e de Alcántara Antónia Rafaela Micaela Gabriela Gonzaga (Queluz 4 Julho 1801-Benfica, Lisboa 22 Abril 1876)

Segue-se, na lista da descendência de D.João VI e D.Carlota Joaquina a Infanta D. Isabel Maria .
Filha predilecta de D.João VI, pelo papel político que desempenhou, tornou-se a mais conhecida dos seus compatriotas.

Pouco se sabe sobre a juventude e adolescência desta Infanta, a qual só teve um papel activo depois do regresso da família real do Brasil.
Muito ligada ao Pai, isso valeu-lhe a antipatia de Carlota Joaquina, tendo combatido todas as tentativas da Mãe de se assenhorear do poder, e frustrando, dentro das suas possibilidades, as conspirações por ela promovidas para se tornar Rainha reinante ou, pelo menos, Regente em nome de D.Miguel.

Sofreu de perturbações nervosas, tendo-lhe sido diagnosticada uma forma de histeria.

Estava a ser contratado o seu casamento com o viúvo e riquíssimo Príncipe Louis de Bourbon-Condé ImagenImagen quando o irmão D.Miguel se pôs à frente da revolução da Abrilada.

Como resultado desta revolução, D.João VI pôs-se sob a protecção das potências estrangeiras (França e Grã-Bretanha) buscando asilo na nau inglesa Windsor Castle.
Acompanhou o Rei a sua filha preferida e que com ele vivia no Paço da Bemposta, a Infanta D.Isabel Maria.
Durante o período em que Pai e filha permaneceram a bordo, a Infanta deixou-se seduzir por um garboso oficial inglês, tendo engravidado.
A notícia chegou a França e o príncipe de Condé rompeu as negociações do seu casamento com a Infanta.

A gravidez foi cuidadosamente escondida, havendo quem afirme que a Infanta deu à luz uma filha, outros um filho e até quem refira duas gémeas.
Viveu (viveram) afastados da família real, se bem que D.Maria II poderá ter tido alguns contactos com a "prima".

Dado o secretismo que acompanhou a descendência da Infanta, pouco mais se pode que especular, mas uma das filhas teria casado com Wenceslau Cifka, renomado ceramista, litógrafo e esmaltador austro-húngaro-checo muito próximo da Família Real e que viera para Portugal na comitiva de D.Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha e que se veio a tornar-se o conselheiro artístico de D.Fernando nas aquisições de peças de arte para a colecção real, no país e no estrangeiro.

Com a morte de D.João VI Imagen, a Infanta viu-se projectada para a ribalta, um pouco a contra-gosto.
A versão oficial diz que, sentindo aproximar-se a morte, D.João VI instituiu um Conselho de Regência, presidido pela Infanta D.Isabel Maria até que o legítimo herdeiro e sucessor da Coroa aparecesse, ou seja, depois do primogénito D.Pedro ter declarado a independência do Brasil e do Infante D.Miguel também se ter revoltado várias vezes contra o Rei, encontrando-se exilado em Viena, o Rei não designou sucessor, deixando para as Cortes esse papel, se bem que, secretamente, favorecesse que a escolha recaisse em D.Pedro e, desta forma, o Brasil retornasse à esfera portuguesa.

A Infanta foi vivendo no fio da navalha, à frente de uma governação irresoluta e sem um rumo definido, o que se explica pela sua pouca apetência pela política.
D.Isabel Maria realmente preferia viver afastada da confusão da política, tendo escrito a um padre que lhe era próximo:
“só o que lhe digo é que desejo quanto antes ficar no canto de uma casa comendo umas sopas do que Governar pois de dia e de noite não tenho senão desgosto, e o que me conserva é amizade ao Mano Pedro e ver também o dano que resultaria nestas circunstâncias tanto à Nação como aos direitos do Mano Pedro, são só estes motivos e nenhuns outros”

Tomando conhecimento da morte do Pai, D.Pedro confirmou a irmã como Regente e outorgou uma Constituição a Portugal.

D.Isabel Maria exerceu a regência durante 2 anos até 1828, data em que D.Pedro e D.Miguel se entenderam no sentido de que o primeiro abdicava da coroa portuguesa a favor da filha primogénita D.Maria II, devendo esta casar com o tio D.Miguel que se tornaria Rei-Consorte.
D.Miguel seria o regente até à maioridade de D.Maria II que, em 1828, contava apenas 9 anos.

Quando D.Miguel regressou a Portugal, depois de se ter comprometido a jurar a Constituição e casar com a sobrinha D.Maria da Glória, D.Isabel Maria entregou-lhe o poder, conforme instruções de D.Pedro, e retirou-se para a sua casa de Benfica, em Lisboa, o Palácio Devisme.

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Aí passou a viver recatada, dedicada à religião (era uma autêntica beata) e a obras de caridade.
No fim da vida, consta que veio a lamentar não ter apoiado o irmão D.Miguel.
Muita influenciada pelos padres, dos lazaristas, às irmãs de caridade, e, por fim, aos missionários irlandeses, a quem legou a maior parte da sua fortuna, o que causou celeuma e azedume entre a família e no país.
Em Roma, ajudou a tratar do túmulo da irmã mais nova D.Ana de Jesus Maria que aí falecera em 1857 Imagen.

Passou a frequentar muito esporadicamente o Paço quando convidada, cada vez menos, devido ao seu temperamento pouco simpático e sociável.
Incompatibilizou-se com a Imperatriz viúva D.Amélia de Leuchtenberg Imagen, duquesa de Bragança, pois pretendia viver com ela no Paço, o que esta rejeitou.

A Infanta foi a última dos filhos de D.João VI e D. Carlota Joaquina a falecer.
Morreu no seu palácio de Benfica a 22 de Abril de 1876, ficando sepultada no Panteão de S.Vicente de Fora
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Uma das suas últimas intervenções teve a ver com os costumes do sobrinho por afinidade :hehe: .

As histórias são como as cerejas por isso aqui vai uma nova derivação – espero que não se percam (grin)
A sobrinha D.Maria II Imagen tinha casado com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha e os dois mantiveram um casamento feliz, apesar do carácter temperamental e voluntarioso da Rainha, sendo D.Fernando perfeitamente devotado à esposa e não havendo qualquer rumor de que alguma vez lhe tenha sido infiel.

Quando D.Maria II morre, em 1853, as coisas mudam, e D.Fernando Imagen, jovem e galante viúvo de 37 anos, embora guardando o recato devido pelo facto de ser o regente na menoridade de D.Pedro V, começou a gozar os” benefícios da viuvez”.

Teve vários casos inconsequentes que a imprensa e a sociedade deixaram passar – felizmente não havia papparrazi por perto :cool: .
As únicas críticas deste comportamento, vinham do filho, o púdico D.Pedro V Imagen que condenava constantemente o comportamento debonaire e leviano do Pai.
No dizer de um contemporâneo, “o Filho parecia o Pai e o Pai parecia o Filho”, com D.Pedro gravemente a admoestar o Pai, e este a protestar maior discrição, como qualquer criança apanhada em flagrante :)) .

Mas em 1860, tudo muda quando D.Fernando conhece uma cantora lírica que viera actuar no Teatro de San Carlos.
Nascida na Suiça (la Chaux-de-Fonds) em 1836, aos doze anos, Elise Friederike Hensler imigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidadosa educação, vindo a terminar os seus estudos em Paris.
Dotada para o canto, actuou no Teatro alla Scala, em Milão. No dia de Natal de 1857, em Paris, aos vinte e um anos, deu à luz uma menina, batizada Alice Hensler, cujo pai era desconhecido, presumindo-se que fosse um aristocrata milanês, e a quem só à hora da morte, revelou que era sua filha, pois tinha-a criado como afilhada :ufff: .

As más-línguas logo atribuíram a D.Fernando a paternidade da criança, mas dúvidas não restam em como Elise e D.Fernando só se conheceram em 1860.

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No dia 2 de Fevereiro de 1860, Elise Hensler chegou a Portugal como membro da Companhia de Ópera de Laneuville, para cantar no Teatro Nacional São João, no Porto.
Actuou em seguida no Teatro Nacional de São Carlos, de Lisboa, no dia 15 de Abril de 1860. Interpretava o pajem da ópera "Um Baile de Máscaras", de Verdi Imagen.
O rei D. Fernando II, que assistia à ópera, apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos, com quem compartilhava o gosto pelas artes, não só a música e o canto, mas a arquitectura, a botânica e jardinagem, a escultura e a cerâmica também.

Durante nove anos, o Rei e a cantora viveram abertamente o seu amor, passeando-se livremente por Lisboa ou Sintra, onde construíram o fantástico Chalet da Condessa no Parque da Pena.

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A Condessa de Edla convida-nos para sua casa (fotografia minha)

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Monumento a D.Fernando no Parque da Pena perto da entrada para o Chalet (foto minha)

Entra então em campo a beata Infanta D.Isabel Maria, a quem chegaram aos ouvidos as notícias do romance entre o Rei e a cantora.

Prega-lhes sermões sobre o adultério e a vida pecaminosa Oo que levavam (ela lá deveria saber :hehe: …) e, no final, lá os convence a casar, para horror da nora de D.Fernando, a voluntariosa Rainha Maria Pia de Sabóia Imagen .
Não se pode mesmo agradar a gregos e troianos.

D.Maria Pia já tinha tido que "engolir" o segundo casamento (morganático) do pai Vitor Manuel II com Rosa Vercellana
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Agora, a mesma "nódoa" caía-lhe em casa na pessoa do sogro :twisted:

Para não ter que casar (tão) abaixo do seu nível, D.Fernando pediu ao primo Imagen Ernesto II, duque de Saxe-Coburgo-Gotha (irmão do príncipe Alberto da Grã Bretanha) que concedesse a Elise um título nobiliárquico, ao que aquele, libertino e bom vivant, com vários casos amorosos com actrizes, acedeu com prazer.
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Carta de nobilitação e concessão de brasão a Elise Hensler (foto minha).

Assim, no dia 10 de Junho de 1869, D.Fernando, discretamente, desposou morganaticamente a Condessa de Edla, na capela do palácio da Infanta D.Isabel.

O casamento durou mais dezasseis anos até à morte de D.Fernando em 1885. Dezasseis anos em que Elise foi a amante e a mulher, a companheira e a parceira, a amiga e a enfermeira do Rei, num casamento tranquilo e feliz, só assombrado por alfinetadas ocasionais da Rainha D. Maria Pia.
Uma vez casados, e com a relação reconhecida pela Santa Madre Igreja, não havia razão para a cantora não ser recebida no Paço, nas recepções oficiais.
D.Maria Pia comprazia-se a enviar convites ao sogro (mas só a este !) sabendo que D.Fernando, por norma, recusava aqueles para os quais Elise não fosse convidada.
Inocentemente, a Rainha justificava-se: “Eu convidei-o, mas ele não quis vir. Paciência !” :whistling:


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